CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2011
Assinale a alternativa correta em relação à hipertensão ocular:
Razão escavação/disco vertical ↑ e córnea fina = ↑ risco de conversão de hipertensão ocular para glaucoma.
A hipertensão ocular é definida por PIO > 21 mmHg sem lesão glaucomatosa. O risco de conversão para glaucoma depende da morfologia do disco óptico e da espessura da córnea (paquimetria).
A hipertensão ocular (HO) é uma condição clínica onde a pressão intraocular (PIO) é consistentemente superior a 21 mmHg, mas o nervo óptico apresenta aparência normal e o campo visual não demonstra defeitos glaucomatosos. O manejo da HO foi revolucionado pelo Ocular Hypertension Treatment Study (OHTS), que identificou fatores de risco cruciais para a conversão em Glaucoma Primário de Ângulo Aberto (GPAA). Entre os principais preditores estão a idade avançada, PIO basal elevada, maior relação escavação/disco vertical e menor espessura corneana central. Clinicamente, a paquimetria é essencial, pois córneas finas (≤ 555 μm) aumentam drasticamente o risco de progressão. O tratamento profilático não é universal; ele é indicado para pacientes de alto risco (risco de conversão > 15% em 5 anos) ou conforme julgamento clínico individualizado. A relação escavação/disco vertical reflete a reserva de fibras nervosas; uma escavação ampla sugere menor densidade axonal, tornando o disco mais vulnerável ao estresse pressórico.
A relação escavação/disco vertical é um dos preditores morfológicos mais importantes para a conversão em glaucoma. Segundo o estudo OHTS, quanto maior a escavação inicial, maior a probabilidade de o paciente desenvolver danos funcionais e estruturais glaucomatosos, mesmo que a pressão intraocular inicial seja moderadamente elevada.
Córneas mais finas estão associadas a um risco significativamente maior de desenvolvimento de glaucoma primário de ângulo aberto em pacientes com hipertensão ocular. Além disso, córneas finas podem levar a uma subestimação da pressão intraocular real na tonometria de aplanação de Goldmann, enquanto córneas espessas podem superestimá-la.
O estudo OHTS demonstrou que a incidência cumulativa de desenvolvimento de glaucoma em 5 anos foi de 9,5% no grupo de observação (sem tratamento) e 4,4% no grupo medicado. Isso mostra que, embora o tratamento reduza o risco pela metade, a maioria dos hipertensos oculares não converte para glaucoma em curto prazo.
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