Hipertensão Mascarada: Diagnóstico e Implicações Clínicas

FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2021

Enunciado

Homem de 53 anos vem para consulta de check-up. Nega comorbidades ou sintomas. Ao exame físico, PA = 132x74 mmHg (média de 2 medidas). ECG havia sinais de sobrecarga ventricular esquerda no ECG, o médico solicitou MAPA e ecocardiograma. O ECO revelou presença de Hipertrofia Ventricular Esquerda concêntrica moderada com septo e parede posterior medindo 12 mm. O MAPA demonstrou: Média na vigília = 133 x 83 mmHg; média nas 24h = 132 x 80 mmHg; Média no período noturno = 122 mmHg x 73 mmHg. Em relação à pressão arterial do paciente, qual o diagnóstico adequado?

Alternativas

  1. A) Normotensão.
  2. B) Hipertensão do avental branco.
  3. C) Hipertensão mascarada.
  4. D) Hipertensão sustentada.
  5. E) Pré hipertensão.

Pérola Clínica

PA consultório normal + PA MAPA elevada + Lesão de órgão-alvo (HVE) = Hipertensão Mascarada.

Resumo-Chave

A Hipertensão Mascarada é caracterizada por pressão arterial normal no consultório, mas elevada nas medidas fora dele (MAPA ou MRPA), frequentemente associada a lesão de órgão-alvo, como a hipertrofia ventricular esquerda. Seu diagnóstico é crucial devido ao maior risco cardiovascular e à necessidade de tratamento.

Contexto Educacional

A hipertensão arterial é uma condição crônica que afeta milhões de pessoas e é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. O diagnóstico preciso é fundamental, e nem sempre a medida da pressão arterial no consultório é suficiente para capturar a real condição do paciente. A Hipertensão Mascarada é uma forma de hipertensão em que os valores da pressão arterial são normais durante as medições no consultório, mas elevados quando aferidos fora do ambiente clínico (por meio da MAPA ou MRPA). Essa condição é particularmente insidiosa porque, apesar da aparente normalidade no consultório, os pacientes com hipertensão mascarada apresentam um risco cardiovascular semelhante ou até maior do que aqueles com hipertensão sustentada, especialmente se houver lesão de órgão-alvo, como a hipertrofia ventricular esquerda (HVE) evidenciada no ECG ou ecocardiograma. O diagnóstico da hipertensão mascarada é feito pela discrepância entre a PA de consultório e as medidas fora do consultório, com as últimas estando elevadas conforme os critérios da MAPA (média de 24h ≥ 130/80 mmHg, vigília ≥ 135/85 mmHg, sono ≥ 120/70 mmHg). A identificação precoce é crucial para iniciar o tratamento e prevenir complicações graves, como infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e insuficiência renal.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar hipertensão mascarada de hipertensão do avental branco?

A hipertensão mascarada ocorre quando a PA de consultório é normal, mas a PA fora do consultório (MAPA/MRPA) é elevada. Já a hipertensão do avental branco é o oposto: PA de consultório elevada e PA fora do consultório normal.

Qual a importância da hipertrofia ventricular esquerda no diagnóstico de hipertensão?

A hipertrofia ventricular esquerda (HVE) é uma lesão de órgão-alvo comum na hipertensão arterial, indicando cronicidade e gravidade da doença. Sua presença, mesmo com PA de consultório normal, sugere hipertensão mascarada e aumenta o risco cardiovascular.

Quais são os valores de corte da MAPA para diagnóstico de hipertensão?

Os valores de corte para hipertensão na MAPA são: média de 24h ≥ 130/80 mmHg; média na vigília ≥ 135/85 mmHg; e média no sono ≥ 120/70 mmHg.

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