Hipertensão Mascarada: Entenda o Diagnóstico e Riscos

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 45 anos, com cefaleia intermitente há 3 meses, realizou algumas medidas residenciais corretas e aleatórias de pressão arterial com aparelho semiautomático com valores acima de 140 x 90 mmHg. AP: sem comorbidades. Ao exame físico: PA 118 x 78 mmHg; IMC 27 kg/m²; sem outras alterações. Exame complementar: MAPA demonstrando médias de PA em 24h de 138 x 88 mmHg. O diagnóstico é de hipertensão

Alternativas

  1. A) mascarada.
  2. B) resistente.
  3. C) subclínica.
  4. D) do avental branco.

Pérola Clínica

PA consultório normal + PA fora do consultório elevada (MAPA/MRPA) = Hipertensão Mascarada.

Resumo-Chave

A paciente apresenta pressão arterial normal no consultório (118x78 mmHg), mas as medidas domiciliares e a MAPA (média de 24h de 138x88 mmHg) indicam valores elevados. Essa discrepância, com PA normal no consultório e elevada fora dele, é característica da hipertensão mascarada.

Contexto Educacional

A hipertensão arterial é uma das doenças crônicas mais prevalentes e um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. O diagnóstico preciso é fundamental para a instituição de tratamento adequado e prevenção de complicações. No entanto, a medida da pressão arterial (PA) no consultório pode não refletir a PA real do paciente em seu ambiente habitual, levando a condições como a hipertensão mascarada e a hipertensão do avental branco. Compreender essas nuances é crucial para a prática clínica e para a formação de residentes. A hipertensão mascarada é caracterizada por valores de PA normais no consultório, mas elevados fora dele, seja por MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) ou MRPA (Monitorização Residencial da Pressão Arterial). Sua fisiopatologia pode envolver estresse no ambiente de trabalho, tabagismo, consumo de álcool, sedentarismo e obesidade. O diagnóstico é feito pela comparação da PA de consultório com as medidas fora dele. A suspeita deve surgir em pacientes com PA de consultório normal, mas com fatores de risco cardiovascular ou evidência de lesão de órgão-alvo. O manejo da hipertensão mascarada é desafiador devido ao seu subdiagnóstico. Uma vez identificada, o tratamento deve ser iniciado, geralmente com modificações no estilo de vida e, se necessário, terapia farmacológica, semelhante à hipertensão sustentada. O prognóstico da hipertensão mascarada é pior do que o de indivíduos normotensos, com risco aumentado de eventos cardiovasculares. Portanto, a identificação precoce e o tratamento são essenciais para reduzir a morbidade e mortalidade associadas a essa condição.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de hipertensão mascarada?

A hipertensão mascarada é diagnosticada quando a pressão arterial (PA) medida no consultório é normal (geralmente < 140/90 mmHg), mas as medidas de PA fora do consultório, seja por Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) ou Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA), estão elevadas (geralmente ≥ 130/80 mmHg na média de 24h ou ≥ 135/85 mmHg na média diurna/noturna).

Qual a diferença entre hipertensão mascarada e hipertensão do avental branco?

Na hipertensão do avental branco, a PA é elevada no consultório, mas normal fora dele. Na hipertensão mascarada, ocorre o oposto: a PA é normal no consultório, mas elevada fora dele. Ambas as condições exigem monitorização da PA fora do consultório para um diagnóstico preciso.

Quais são os riscos associados à hipertensão mascarada?

A hipertensão mascarada está associada a um risco cardiovascular aumentado, semelhante ao da hipertensão sustentada, incluindo maior incidência de eventos cardiovasculares (infarto, AVC), hipertrofia ventricular esquerda e doença renal crônica. O subdiagnóstico e a falta de tratamento contribuem para esses riscos.

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