Triancinolona Intravítrea e Risco de Hipertensão Ocular

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2011

Enunciado

Sobre as complicações relacionadas com o uso de corticoide intravítreo nas uveítes, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A história prévia de hipertensão intraocular não aumenta o risco de elevação da pressão intraocular após injeção intravítrea de triancinolona
  2. B) Frequentemente, o aumento da pressão intraocular ocorre após a sexta semana da injeção intravítrea de triancinolona
  3. C) O risco de hipertensão intraocular após injeção intravítrea de triancinolona é maior nos portadores de uveíte crônica quando comparado ao de não portadores
  4. D) Caso ocorra hipertensão ocular secundária ao uso da triancinolona intravítrea, está formalmente indicada a realização de trabeculectomia com mitomicina C, devido a pequena resposta terapêutica ao uso de colírios hipotensores

Pérola Clínica

Uveíte crônica → ↑ risco de hipertensão ocular após triancinolona intravítrea.

Resumo-Chave

O uso de triancinolona intravítrea em pacientes com uveíte crônica apresenta um risco significativamente maior de elevação da pressão intraocular (PIO) devido a alterações prévias na malha trabecular causadas pela inflamação persistente.

Contexto Educacional

A triancinolona intravítrea é uma ferramenta valiosa no tratamento de complicações de uveítes, como o edema macular cistóide. No entanto, seu perfil de efeitos colaterais exige cautela. A fisiopatologia da hipertensão ocular por corticoide envolve o aumento da expressão de proteínas como a miocilina e alterações na organização do citoesqueleto das células trabeculares, dificultando a drenagem do aquoso. Estudos demonstram que cerca de 30% a 50% dos pacientes submetidos a essa terapia podem apresentar elevação da PIO > 10 mmHg. Em portadores de uveíte, esse risco é exacerbado pela 'trabeculite' prévia ou sinéquias anteriores. O conhecimento desses riscos é fundamental para a seleção adequada do paciente e para o aconselhamento pré-operatório sobre a possível necessidade de terapia hipotensora prolongada.

Perguntas Frequentes

Por que pacientes com uveíte crônica têm mais risco de PIO elevada?

Pacientes com uveíte crônica frequentemente já possuem danos estruturais ou funcionais na malha trabecular decorrentes de episódios inflamatórios recorrentes. O uso de corticosteroides, especialmente em depósito como a triancinolona intravítrea, aumenta a resistência ao escoamento do humor aquoso através da estabilização de membranas lisossomais e alteração da matriz extracelular trabecular. Em olhos previamente comprometidos pela inflamação, essa redução na facilidade de escoamento é mais pronunciada, levando a picos pressóricos mais frequentes e severos em comparação a olhos sem histórico de uveíte.

Qual o manejo inicial da hipertensão ocular pós-triancinolona?

O manejo inicial é eminentemente clínico, utilizando colírios hipotensores que reduzem a produção de humor aquoso (betabloqueadores, inibidores da anidrase carbônica, agonistas alfa-adrenérgicos) ou aumentam o escoamento uveoescleral (análogos de prostaglandinas). A resposta terapêutica costuma ser satisfatória na maioria dos casos. A cirurgia filtrante, como a trabeculectomia, é reservada apenas para casos refratários ao tratamento clínico máximo, onde o controle da PIO é insuficiente para prevenir danos ao nervo óptico, não sendo a primeira indicação imediata.

Quando ocorre o pico de pressão após a injeção?

Diferente de procedimentos agudos, a elevação da pressão intraocular induzida por triancinolona intravítrea não é imediata. Ela geralmente se manifesta entre 2 a 4 semanas após o procedimento, podendo persistir por meses devido à natureza de depósito da droga. O monitoramento rigoroso da PIO deve ser realizado quinzenalmente no primeiro mês e mensalmente nos meses subsequentes até a reabsorção total do fármaco, especialmente em pacientes com fatores de risco como glaucoma pré-existente ou uveíte crônica.

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