CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2011
Sobre as complicações relacionadas com o uso de corticoide intravítreo nas uveítes, é correto afirmar:
Uveíte crônica → ↑ risco de hipertensão ocular após triancinolona intravítrea.
O uso de triancinolona intravítrea em pacientes com uveíte crônica apresenta um risco significativamente maior de elevação da pressão intraocular (PIO) devido a alterações prévias na malha trabecular causadas pela inflamação persistente.
A triancinolona intravítrea é uma ferramenta valiosa no tratamento de complicações de uveítes, como o edema macular cistóide. No entanto, seu perfil de efeitos colaterais exige cautela. A fisiopatologia da hipertensão ocular por corticoide envolve o aumento da expressão de proteínas como a miocilina e alterações na organização do citoesqueleto das células trabeculares, dificultando a drenagem do aquoso. Estudos demonstram que cerca de 30% a 50% dos pacientes submetidos a essa terapia podem apresentar elevação da PIO > 10 mmHg. Em portadores de uveíte, esse risco é exacerbado pela 'trabeculite' prévia ou sinéquias anteriores. O conhecimento desses riscos é fundamental para a seleção adequada do paciente e para o aconselhamento pré-operatório sobre a possível necessidade de terapia hipotensora prolongada.
Pacientes com uveíte crônica frequentemente já possuem danos estruturais ou funcionais na malha trabecular decorrentes de episódios inflamatórios recorrentes. O uso de corticosteroides, especialmente em depósito como a triancinolona intravítrea, aumenta a resistência ao escoamento do humor aquoso através da estabilização de membranas lisossomais e alteração da matriz extracelular trabecular. Em olhos previamente comprometidos pela inflamação, essa redução na facilidade de escoamento é mais pronunciada, levando a picos pressóricos mais frequentes e severos em comparação a olhos sem histórico de uveíte.
O manejo inicial é eminentemente clínico, utilizando colírios hipotensores que reduzem a produção de humor aquoso (betabloqueadores, inibidores da anidrase carbônica, agonistas alfa-adrenérgicos) ou aumentam o escoamento uveoescleral (análogos de prostaglandinas). A resposta terapêutica costuma ser satisfatória na maioria dos casos. A cirurgia filtrante, como a trabeculectomia, é reservada apenas para casos refratários ao tratamento clínico máximo, onde o controle da PIO é insuficiente para prevenir danos ao nervo óptico, não sendo a primeira indicação imediata.
Diferente de procedimentos agudos, a elevação da pressão intraocular induzida por triancinolona intravítrea não é imediata. Ela geralmente se manifesta entre 2 a 4 semanas após o procedimento, podendo persistir por meses devido à natureza de depósito da droga. O monitoramento rigoroso da PIO deve ser realizado quinzenalmente no primeiro mês e mensalmente nos meses subsequentes até a reabsorção total do fármaco, especialmente em pacientes com fatores de risco como glaucoma pré-existente ou uveíte crônica.
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