Pré-eclâmpsia e Tríade de Cushing: Conduta de Emergência

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2026

Enunciado

Durante o puerpério imediato de um parto cesariano, uma paciente evoluiu com sinais de préeclampsia e foi transferida para o CTI. Ao admitir a paciente, o médico intensivista notou que, além da hipertensão arterial, a mesma estava bradipneica e bradicárdica. Assinale a alternativa que corresponde a melhor conduta:

Alternativas

  1. A) Realizar tomografia de crânio e acionar a equipe de neurologia.
  2. B) Prescrever flumazenil para reversão do efeito da anestesia.
  3. C) Iniciar dobutamina e solicitar ecocardiograma.
  4. D) Associar hidralazina endovenosa ao sulfato de magnésio.
  5. E) Suplementação de oxigênio e tomografia de tórax.

Pérola Clínica

Hipertensão + Bradicardia + Bradipneia = Tríade de Cushing → Investigar Hipertensão Intracraniana/AVC.

Resumo-Chave

A tríade de Cushing em uma paciente com pré-eclâmpsia é um sinal de alarme crítico para hipertensão intracraniana, sugerindo complicações como AVC hemorrágico ou edema cerebral grave.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma doença multissistêmica que afeta significativamente o sistema nervoso central. A fisiopatologia envolve disfunção endotelial e falha na autorregulação do fluxo sanguíneo cerebral, o que predispõe ao edema vasogênico e a rupturas vasculares. A tríade de Cushing (hipertensão, bradicardia e bradipneia) é uma resposta fisiológica reflexa ao aumento da pressão intracraniana (PIC). Quando a PIC se aproxima da pressão arterial média, o centro vasomotor bulbar estimula uma resposta simpática massiva para manter a perfusão cerebral, resultando em hipertensão. O barorreflexo subsequente causa bradicardia, e a compressão do tronco cerebral altera o padrão respiratório. No puerpério imediato, o risco de complicações cerebrovasculares permanece elevado. O médico intensivista deve estar atento a sinais de deterioração neurológica que vão além das convulsões eclâmpticas. O manejo envolve a estabilização hemodinâmica, controle rigoroso da pressão arterial com anti-hipertensivos de ação rápida (como hidralazina ou labetalol), e a pronta investigação com neuroimagem. O acionamento da neurocirurgia é vital caso haja evidência de efeito de massa ou sangramentos que necessitem de drenagem.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a tríade de Cushing no contexto da pré-eclâmpsia?

A tríade de Cushing é composta por hipertensão arterial (geralmente com pressão de pulso alargada), bradicardia e irregularidade respiratória (ou bradipneia). No contexto da pré-eclâmpsia, esses sinais indicam um aumento crítico da pressão intracraniana, sugerindo que a paciente pode estar sofrendo um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico ou edema cerebral massivo. É uma emergência médica que precede a herniação cerebral.

Por que a tomografia de crânio é a conduta prioritária neste caso?

A tomografia de crânio é essencial para diferenciar entre as causas de hipertensão intracraniana, como hemorragia intracerebral, hemorragia subaracnoidea ou edema cerebral difuso. Como a pré-eclâmpsia é um fator de risco maior para eventos cerebrovasculares, e a tríade de Cushing indica sofrimento de tronco cerebral, o diagnóstico por imagem deve ser imediato para orientar a intervenção neurocirúrgica ou o manejo clínico intensivo.

Pode-se confundir a bradipneia com toxicidade por sulfato de magnésio?

Sim, a depressão respiratória é um sinal clássico de hipermagnesemia. No entanto, a toxicidade pelo magnésio geralmente causa hipotensão e abolição de reflexos tendinosos profundos, enquanto a tríade de Cushing apresenta hipertensão severa e bradicardia. Na dúvida, a avaliação neurológica e a imagem são mandatórias, pois o atraso no diagnóstico de um AVC pode ser fatal.

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