USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024
Homem de 44 anos, com trauma cranioencefálico grave, sedado com propofol e fentanil em RASS (Richmond Agitation Sedation Scale) - 3, com pressão intracraniana de 26 mmHg mantida há 30 minutos, PAM de 90 mmHg com noradrenalina 0,02 μg/kg/min, SatO2 de 95%, pCO2 de 47 mmHg, temperatura central de 37,9°C. Sem alterações de sódio, potássio ou hemoglobina. Tomografia mostra edema cerebral difuso, ventrículos colabados. Assinale, dentre as opções a seguir a ordem sequencial de condutas recomendadas para controle da hipertensão intracraniana persistente desse paciente:
PIC refratária → Corrigir causas (pCO2, Temp), aprofundar sedação e usar osmoterápicos.
O manejo da hipertensão intracraniana (HIC) segue uma hierarquia: primeiro otimizam-se os parâmetros fisiológicos (normocapnia/hipocapnia leve e normotermia), seguidos por medidas de redução de volume cerebral e metabolismo.
O manejo do paciente com TCE grave e hipertensão intracraniana (PIC > 22 mmHg) é baseado na manutenção da pressão de perfusão cerebral (PPC) e na redução da pressão dentro da caixa craniana rígida. A sequência de condutas deve ser lógica: primeiro, eliminam-se fatores que pioram a PIC, como a hipercapnia (ajustando o volume minuto) e a febre. Em seguida, atua-se na redução da demanda metabólica e do volume cerebral. No cenário apresentado, o paciente tem hipercapnia (pCO2 47) e febre (37,9°C), ambos fatores que aumentam o fluxo sanguíneo cerebral e a PIC. Portanto, a correção desses parâmetros é prioritária. O aprofundamento da sedação (para reduzir o metabolismo e evitar assincronias ventilatórias) e o uso de soluções osmóticas (hipertônica) completam a sequência lógica antes de medidas mais drásticas como o coma barbitúrico ou a craniectomia descompressiva.
O aumento do volume minuto visa reduzir a pressão parcial de CO2 (pCO2) no sangue arterial. O CO2 é um potente vasodilatador cerebral; quando seus níveis estão elevados (como os 47 mmHg do caso), ocorre vasodilatação e aumento do volume sanguíneo cerebral, elevando a PIC. Ao promover uma hipocapnia leve ou normalizar uma hipercapnia, induz-se vasoconstrição, reduzindo o volume de sangue intracraniano e, consequentemente, a pressão, respeitando a Doutrina de Monro-Kellie.
A febre ou hipertermia (como os 37,9°C do paciente) aumenta o metabolismo cerebral (CMRO2), o que por sua vez exige maior fluxo sanguíneo cerebral para suprir a demanda metabólica. Esse aumento do fluxo contribui para a elevação da PIC. A redução da temperatura para a normotermia (ou hipotermia leve em protocolos específicos) reduz o metabolismo e o volume sanguíneo cerebral, sendo uma medida fundamental de primeira linha no controle da HIC.
A terapia osmótica com solução hipertônica (ou manitol) é indicada quando a PIC permanece elevada apesar das medidas iniciais de posicionamento e ventilação. Ela atua criando um gradiente osmótico que retira água do parênquima cerebral para o compartimento intravascular, reduzindo o edema. No caso clínico, ela aparece após a correção de parâmetros fisiológicos e aprofundamento da sedação, como parte da escada terapêutica para HIC persistente.
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