SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025
Adolescente, 14 anos de idade, apresentou quadro de cefaleia há 3 semanas, persistente, intensa e com piora progressiva, com náuseas pela manhã, associada à fotofobia e diplopia. Ela negou febre ou alteração do nível de consciência. Exame físico: IMC 32 kg/m²; bom estado geral, orientada, ativa, déficit na abdução do olho direito, papiledema bilateral ao exame de fundo de olho e sem sinais meníngeos. LCR: 2 células/mm³, proteinorraquia 15 mg/dl, glicorraquia 58 mg/dL, gram‐ausente, pressão de abertura 60 cmH2O. RM de crânio sem alterações. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica e o tratamento adequado:
Mulher jovem + Obesa + Papiledema + RM normal + LCR (↑ Pressão) = Pseudotumor Cerebral.
A hipertensão intracraniana idiopática cursa com sinais de HIC sem lesão expansiva ou hidrocefalia; o tratamento padrão envolve acetazolamida e perda ponderal.
O Pseudotumor Cerebral, ou Hipertensão Intracraniana Idiopática (HII), é uma condição caracterizada pelo aumento da pressão intracraniana sem uma causa identificável por imagem. É classicamente associado a mulheres jovens com IMC elevado. A fisiopatologia exata ainda é debatida, envolvendo possivelmente resistência ao fluxo de saída do LCR ou alterações no metabolismo da vitamina A. O quadro clínico é dominado por cefaleia que piora com manobra de Valsalva e alterações visuais, como obscurecimentos transitórios e diplopia. O achado de papiledema bilateral é mandatório para o diagnóstico clínico inicial. O tratamento visa prevenir a perda visual permanente, utilizando acetazolamida para reduzir a produção de LCR e, em casos refratários, procedimentos como fenestração da bainha do nervo óptico ou derivação lombo-peritoneal.
Os critérios de Dandy modificados incluem: sinais e sintomas de aumento da pressão intracraniana (cefaleia, náuseas, papiledema), ausência de sinais localizatórios (exceto paralisia do VI par), pressão de abertura do LCR elevada (>25 cmH2O em adultos ou >28 cmH2O em crianças/adolescentes sedados) com composição normal do líquor, e exames de imagem (RM/TC) sem evidência de massas ou trombose venosa.
A acetazolamida é um inibidor da anidrase carbônica que reduz a produção de líquido cefalorraquidiano pelo plexo coroide. É a primeira linha de tratamento farmacológico para reduzir a pressão intracraniana e preservar a visão, sendo frequentemente associada a programas de perda de peso em pacientes obesos.
O déficit de abdução indica paralisia do nervo abducente (VI par craniano). Devido ao seu longo trajeto intracraniano, o VI par é muito sensível a aumentos na pressão intracraniana, funcionando como um 'falso sinal localizatório' na hipertensão intracraniana idiopática.
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