FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2020
Uma mulher de 30 anos apresenta cefaléia crônica diária, zumbido pulsátil e turvamento episódico da visão. No exame, ela apresenta papiledema. Que avaliação você realizaria?
Papiledema + cefaleia + zumbido pulsátil → suspeitar de Hipertensão Intracraniana Idiopática → RM + PL (medir pressão) + Campos Visuais.
A paciente apresenta sintomas clássicos de hipertensão intracraniana idiopática (pseudotumor cerebri), incluindo papiledema. A investigação deve incluir neuroimagem (RM para excluir outras causas), punção lombar com medida da pressão de abertura (para confirmar a HIC) e campos visuais (para avaliar o impacto na visão).
A hipertensão intracraniana idiopática (HII), também conhecida como pseudotumor cerebri, é uma síndrome caracterizada por sinais e sintomas de pressão intracraniana elevada sem uma causa estrutural identificável no sistema nervoso central e com composição do líquido cefalorraquidiano (LCR) normal. É mais comum em mulheres jovens e obesas, e sua prevalência tem aumentado com a epidemia de obesidade. A compreensão de sua fisiopatologia, diagnóstico e manejo é vital para residentes. Os sintomas clássicos incluem cefaleia crônica diária, zumbido pulsátil, turvamento visual episódico e diplopia. O sinal mais importante ao exame físico é o papiledema bilateral, que é o inchaço do disco óptico devido à pressão elevada. A principal complicação da HII é a perda visual permanente, tornando a avaliação oftalmológica rigorosa fundamental. A investigação diagnóstica começa com neuroimagem (RM de encéfalo com venografia, se possível) para excluir outras causas de HIC. Se a neuroimagem for normal, realiza-se uma punção lombar para medir a pressão de abertura do LCR (que estará elevada) e analisar sua composição (que deve ser normal). Além disso, a avaliação oftalmológica completa, incluindo acuidade visual, fundoscopia e, crucialmente, campos visuais, é indispensável para monitorar a função visual e guiar o tratamento. O tratamento visa reduzir a pressão intracraniana e preservar a visão, geralmente com diuréticos (acetazolamida) e, em casos refratários, cirurgia.
Os critérios diagnósticos para HII incluem sintomas de HIC (cefaleia, zumbido pulsátil, turvamento visual), papiledema, neuroimagem normal (excluindo outras causas), pressão de abertura do LCR elevada (>25 cmH2O em adultos) e composição do LCR normal.
A RM é essencial para excluir outras causas de papiledema e hipertensão intracraniana, como tumores cerebrais, hidrocefalia, trombose de seio venoso ou outras lesões estruturais que poderiam mimetizar a HII, garantindo um diagnóstico correto.
Os campos visuais são cruciais para monitorar a progressão da perda visual, que é a complicação mais grave da HII. Defeitos nos campos visuais, especialmente o aumento da mancha cega e constrição periférica, indicam a necessidade de tratamento mais agressivo para preservar a visão.
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