Hipertensão Intracraniana Idiopática: Sinais e Diagnóstico

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 32 anos de idade, sem antecedentes patológicos, apresenta-se com queixa de obscurecimento visual transitório bilateral, cefaleia, diplopia horizontal e fundo de olho conforme indicado abaixo. A acuidade visual era 1,0 em ambos os olhos. Considerando a condição mais provável, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) O tratamento de escolha é a pulsoterapia com metilprednisolona por 3 dias.
  2. B) O primeiro exame que deve ser realizado é o do liquor com manometria.
  3. C) A causa mais provável é a esclerose múltipla.
  4. D) Pode ocorrer simultaneamente paresia do nervo abducente.

Pérola Clínica

HII → cefaleia + papiledema + diplopia (paresia do VI par); comum em mulheres jovens obesas.

Resumo-Chave

A Hipertensão Intracraniana Idiopática (HII) manifesta-se com sinais de hipertensão intracraniana sem lesão expansiva, frequentemente associada à paresia do VI par (abducente).

Contexto Educacional

A Hipertensão Intracraniana Idiopática (antigo Pseudotumor Cerebral) é uma condição que afeta predominantemente mulheres em idade fértil com sobrepeso. O quadro clássico inclui cefaleia, zumbido pulsátil e sintomas visuais. O fundo de olho revela papiledema bilateral, que pode cursar com acuidade visual central preservada nas fases iniciais, mas com aumento da mancha cega no campo visual. A paresia do VI par é o achado neurológico focal mais comum associado a essa síndrome de pressão elevada.

Perguntas Frequentes

Por que ocorre paresia do nervo abducente na HII?

A paresia do VI par craniano (nervo abducente) na Hipertensão Intracraniana Idiopática é considerada um 'sinal falso localizador'. Devido ao seu longo trajeto intracraniano e sua posição vulnerável contra o osso temporal, qualquer aumento na pressão intracraniana pode comprimir ou estirar o nervo. Isso resulta em fraqueza do músculo reto lateral, causando diplopia horizontal que piora ao olhar para o lado da lesão. Não indica uma lesão direta no núcleo do nervo, mas sim o efeito mecânico da pressão elevada em todo o compartimento intracraniano.

O que são obscurecimentos visuais transitórios?

Os obscurecimentos visuais transitórios (OVT) são episódios breves de perda de visão (segundos), geralmente bilaterais, que ocorrem em pacientes com papiledema. Eles são frequentemente desencadeados por mudanças de postura (como levantar-se rapidamente) ou manobras de Valsalva. Acredita-se que sejam causados por uma isquemia transitória da cabeça do nervo óptico devido ao aumento da pressão tecidual que supera a pressão de perfusão capilar. Embora alarmantes, os OVT não predizem necessariamente a perda visual permanente, mas indicam a gravidade do edema de papila.

Qual o manejo inicial e diagnóstico da HII?

O diagnóstico requer a exclusão de massas intracranianas por RM ou TC, seguida de uma punção lombar com manometria que revele pressão de abertura elevada (>25 cmH2O) com composição do líquor normal. O tratamento inicial foca na perda de peso (em pacientes obesas) e no uso de inibidores da anidrase carbônica, como a acetazolamida, para reduzir a produção de líquor. Em casos de risco iminente de perda visual, procedimentos cirúrgicos como a fenestração da bainha do nervo óptico ou derivações (shunts) lombo-peritoneais podem ser necessários.

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