Hipertensão Intracraniana Idiopática: Manejo Cirúrgico

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2016

Enunciado

Paciente com hipertensão intracraniana idiopática em uso de acetazolamida por via oral 2g/dia apresenta edema bilateral de papila e constrição progressiva do campo visual à direita, apesar do tratamento. Qual a conduta mais apropriada para esta situação?

Alternativas

  1. A) Obtenção de imagem por ressonância magnética de forma seriada.
  2. B) Suspensão da acetazolamida.
  3. C) Realização de fenestração da bainha do nervo óptico.
  4. D) Observação.

Pérola Clínica

IIH + Falha medicamentosa + Perda visual progressiva → Fenestração da bainha do nervo óptico.

Resumo-Chave

Quando o tratamento clínico com doses otimizadas de acetazolamida falha em conter a perda de campo visual na IIH, a intervenção cirúrgica descompressiva é mandatória.

Contexto Educacional

A Hipertensão Intracraniana Idiopática (IIH) afeta tipicamente mulheres jovens com sobrepeso. O objetivo primordial do tratamento é a preservação da função visual. A acetazolamida reduz a produção de LCR pelo plexo coroide. No entanto, em casos fulminantes ou refratários, a pressão mecânica sobre o nervo óptico causa isquemia e morte axonal. A fenestração é uma técnica oftalmológica/neurocirúrgica focada na salvaguarda da visão.

Perguntas Frequentes

Quando indicar cirurgia na Hipertensão Intracraniana Idiopática (IIH)?

A cirurgia é indicada principalmente quando há falha do tratamento clínico (geralmente acetazolamida em doses de até 2-4g/dia) associada à evidência de deterioração visual progressiva. Essa deterioração é monitorada através da acuidade visual, mas principalmente pela perimetria computadorizada (campo visual), que mostra constrição progressiva ou aumento da mancha cega, e pelo grau de papiledema.

Como funciona a fenestração da bainha do nervo óptico?

A fenestração consiste na criação de pequenas fendas ou janelas na bainha de dura-máter que envolve o nervo óptico retrobulbar. Isso permite a drenagem do excesso de líquido cefalorraquidiano (LCR) para o espaço orbitário, reduzindo a pressão local sobre as fibras nervosas e o fluxo axoplasmático, o que resulta na resolução do papiledema e estabilização da visão. É excelente para proteção visual, mas menos eficaz para tratar cefaleia crônica.

Quais as alternativas cirúrgicas à fenestração?

As principais alternativas são os shunts de LCR, como a derivação ventriculoperitoneal (DVP) ou a derivação lumboperitoneal (DLP). Estes procedimentos tratam a hipertensão intracraniana de forma global, sendo preferidos quando a cefaleia é o sintoma dominante e refratário. Outra opção emergente é o stent de seio venoso dural em pacientes selecionados com estenose de seio transverso documentada.

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