CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2012
Mulher, 28 anos, com índice de massa corpórea de 31 kg/m², apresentou, em exame de rotina, acuidade visual 1,0 em ambos os olhos e edema bilateral de papila. Não apresentava doenças sistêmicas associadas. Podemos afirmar para a doença em questão:
Mulher jovem + Obesidade + Papiledema bilateral = Hipertensão Intracraniana Idiopática.
A IIH causa aumento da pressão liquórica sem lesão expansiva. O tratamento visa preservar a visão, sendo a fenestração da bainha do nervo óptico uma opção cirúrgica em casos refratários.
A Hipertensão Intracraniana Idiopática (IIH) é uma condição caracterizada pelo aumento da pressão intracraniana sem evidência de massas, hidrocefalia ou trombose venosa cerebral, ocorrendo predominantemente em mulheres jovens e obesas. A fisiopatologia exata permanece incerta, mas envolve desequilíbrio entre produção e reabsorção de líquor, além de possíveis influências hormonais e metabólicas. O diagnóstico baseia-se nos critérios de Dandy modificados, exigindo papiledema, exame neurológico normal (exceto nervos cranianos), neuroimagem sem alterações estruturais e pressão de abertura liquórica elevada (>25 cmH2O). O manejo foca na perda ponderal e controle farmacológico com acetazolamida. A intervenção cirúrgica, como a fenestração da bainha do nervo óptico ou derivações (lombo-peritoneal ou ventrículo-peritoneal), reserva-se para casos com risco iminente de cegueira ou falha terapêutica.
O achado mais precoce e comum na Hipertensão Intracraniana Idiopática (IIH) é o aumento da mancha cega, decorrente do edema de papila. Com a progressão da doença e o dano crônico às fibras nervosas, podem surgir defeitos arqueados (escotomas de Bjerrum) e constrição periférica do campo visual. Diferente de neuropatias isquêmicas, o escotoma central é um achado tardio, ocorrendo apenas quando há atrofia óptica avançada ou maculopatia associada ao edema.
A fenestração da bainha do nervo óptico (FBNO) é indicada principalmente em pacientes com perda visual progressiva e grave que não respondem ao tratamento clínico máximo (perda de peso e acetazolamida) ou que apresentam intolerância medicamentosa. É um procedimento focado na proteção do nervo óptico, sendo eficaz para reduzir o papiledema e estabilizar a visão, embora tenha efeito limitado na redução da pressão intracraniana global em comparação com derivações liquóricas.
Embora a punção lombar diagnóstica seja essencial para medir a pressão de abertura e analisar o líquor, punções de repetição não são recomendadas como tratamento de longo prazo. O alívio da pressão é temporário, pois o líquor é produzido e renovado continuamente (cerca de 500ml/dia). Além disso, o procedimento é invasivo, desconfortável e apresenta riscos como cefaleia pós-punção e infecção, sendo preferível o uso de inibidores da anidrase carbônica ou cirurgia.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo