PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024
Uma paciente de 56 anos é trazida ao serviço de emergência com quadro de rebaixamento do nível de consciência. Ao exame clínico, apresenta-se com anisocoria, frequência cardíaca de 40bpm, pressão arterial de 180x100 mmHg e frequência respiratória de 8ipm. Você procede com a intubação orotraqueal e realiza uma tomografia de crânio com a seguinte imagem.Sobre o manejo clínico da paciente, além da intervenção cirúrgica, qual das medidas clínicas poderia ser aplicada neste momento?
Bradicardia + Hipertensão + Bradipneia = Tríade de Cushing → Emergência por HIC!
O manejo clínico da hipertensão intracraniana aguda foca em terapia osmótica (manitol ou salina) para reduzir o volume cerebral e prevenir a herniação fatal.
A Doutrina de Monro-Kellie estabelece que o volume total intracraniano (cérebro, sangue e líquor) é constante. Quando uma massa ou edema aumenta um desses componentes, os outros devem ser deslocados. Quando os mecanismos de compensação falham, a pressão intracraniana (PIC) sobe abruptamente, levando à Tríade de Cushing e herniação. O manejo clínico imediato visa reduzir o volume cerebral através da osmose. O manitol e a salina hipertônica criam um gradiente osmótico que retira água do parênquima cerebral para o compartimento intravascular. Além da terapia osmótica, o manejo inclui cabeceira elevada a 30 graus, sedação adequada, controle da temperatura e garantia de oxigenação e ventilação (normocapnia), preparando o paciente para a intervenção cirúrgica definitiva, se indicada.
A Tríade de Cushing é um sinal clínico clássico e tardio de hipertensão intracraniana grave e iminência de herniação. Ela é composta por: 1) Hipertensão arterial (frequentemente com pressão de pulso alargada), 2) Bradicardia e 3) Irregularidade respiratória ou bradipneia. É uma resposta fisiológica à compressão do tronco encefálico e isquemia cerebral.
Ambas são eficazes como terapia osmótica para reduzir a pressão intracraniana (PIC). O manitol atua como diurético osmótico, mas pode causar hipotensão e distúrbios eletrolíticos. A salina hipertônica (3% a 20%) é frequentemente preferida em pacientes hipotensos ou hipovolêmicos, pois ajuda na expansão volêmica enquanto reduz o edema cerebral.
O dióxido de carbono (CO2) é um potente vasodilatador cerebral. Níveis elevados de CO2 (hipercapnia) aumentam o fluxo sanguíneo cerebral e, consequentemente, o volume de sangue dentro do crânio, o que agrava a hipertensão intracraniana. Por isso, mantém-se a normocapnia ou leve hipocapnia em casos selecionados.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo