Hipertensão Intracraniana em HIV: Diagnóstico e Conduta

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024

Enunciado

Uma mulher com 37 anos é levada pelos familiares a uma unidade de pronto atendimento devido a rebaixamento do nível de consciência. Os familiares informam que ela já vinha se queixando de cefaleia frequente há alguns dias, além de dificuldades visuais e, mais recentemente, apresentou episódios de vômitos. Relatam que, de manhã, antes da consulta, ela havia se mostrado gradativamente sonolenta e pouco responsiva. Contam que a paciente faz tratamento irregular para HIV/Aids, não sabendo informar a data da última consulta de acompanhamento da doença.Ao exame físico, ela não apresenta déficits focais; verificando-se pressão arterial de 160 x 100 mmHg, frequência cardíaca de 48 bpm, frequência respiratória de 10 irpm, de padrão irregular. Constata-se, ainda, que a paciente apresenta edema de papila bilateralmente; escala de Coma de Glasgow de 12.Considerando-se o caso descrito, a conduta inicial adequada é solicitar

Alternativas

  1. A) punção lombar.
  2. B) eletroencefalograma.
  3. C) tomografia computadorizada de crânio.
  4. D) contagem de CD4 e carga viral para HIV. 

Pérola Clínica

Paciente HIV com rebaixamento consciência, cefaleia, vômitos, edema de papila e tríade de Cushing → suspeita de hipertensão intracraniana = TC de crânio urgente antes de PL.

Resumo-Chave

A presença de rebaixamento do nível de consciência, cefaleia, vômitos, edema de papila e sinais de hipertensão intracraniana (tríade de Cushing: hipertensão, bradicardia, bradipneia) em paciente com HIV/Aids, especialmente com tratamento irregular, indica uma emergência neurológica. A Tomografia Computadorizada (TC) de crânio é a conduta inicial para excluir lesões com efeito de massa antes de qualquer punção lombar, que poderia precipitar herniação cerebral.

Contexto Educacional

Pacientes com HIV/Aids, especialmente aqueles com tratamento irregular ou imunossupressão avançada, são suscetíveis a diversas infecções oportunistas e neoplasias que podem afetar o sistema nervoso central (SNC). A apresentação clínica pode variar, mas sintomas como cefaleia, vômitos, alterações visuais e rebaixamento do nível de consciência são alarmantes e sugerem patologia intracraniana. A presença de edema de papila bilateral, hipertensão arterial, bradicardia e padrão respiratório irregular (Tríade de Cushing) são sinais clássicos de hipertensão intracraniana (HIC) grave. A HIC pode ser causada por lesões com efeito de massa (como toxoplasmose cerebral, linfoma primário do SNC, tuberculoma) ou por processos difusos (como criptococose meníngea). Diante de sinais de HIC, a conduta inicial e prioritária é a realização de uma Tomografia Computadorizada (TC) de crânio. O objetivo é identificar ou excluir lesões expansivas que possam causar herniação cerebral caso uma punção lombar (PL) seja realizada. A PL é contraindicada na presença de HIC com risco de herniação, sendo segura apenas após a exclusão de lesões de massa ou se a pressão intracraniana for controlada.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de hipertensão intracraniana?

Os sinais e sintomas incluem cefaleia intensa, vômitos em jato, alterações visuais (como edema de papila), rebaixamento do nível de consciência e a tríade de Cushing (hipertensão arterial, bradicardia e bradipneia).

Por que a TC de crânio é prioritária antes da punção lombar em HIC?

A TC de crânio é prioritária para excluir lesões com efeito de massa que possam causar herniação cerebral após a punção lombar. A punção lombar em presença de HIC com lesão expansiva é contraindicada devido ao risco de complicações graves.

Quais as principais causas de neuroinfecção em pacientes com HIV?

As principais causas incluem toxoplasmose cerebral, criptococose meníngea, leucoencefalopatia multifocal progressiva (LEMP), tuberculose do SNC e linfoma primário do SNC, especialmente em pacientes com imunossupressão avançada.

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