TCE Grave: Manejo da Hipertensão Intracraniana

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 62 anos vítima de traumatismo crânio-encefálico por queda há cerca de uma hora, foi intubada na cena do trauma. À chegada no pronto-socorro, encontra-se com Glasgow de 8T e apresenta anisocoria com pupila esquerda midriática. Realizada tomografia computadorizada de crânio (vide figura). Além de elevação da cabeceira a 30 graus, qual a medida clínica mais adequada a ser tomada antes do tratamento cirúrgico definitivo?

Alternativas

  1. A) Hiperventilação.
  2. B) Administração de solução hiperosmolar.
  3. C) Hipotermia controlada.
  4. D) Corticoterapia com dexametasona.

Pérola Clínica

TCE grave + anisocoria → HIC. Solução hiperosmolar (Manitol/Salina) = medida inicial crucial.

Resumo-Chave

A anisocoria com pupila midriática em um paciente com TCE grave e Glasgow baixo sugere herniação cerebral iminente devido à hipertensão intracraniana (HIC). A administração de soluções hiperosmolares, como manitol ou salina hipertônica, é a medida mais eficaz para reduzir rapidamente a pressão intracraniana antes da intervenção cirúrgica.

Contexto Educacional

O traumatismo cranioencefálico (TCE) grave é uma das principais causas de morbimortalidade, especialmente em jovens. A hipertensão intracraniana (HIC) é uma complicação crítica que pode levar à herniação cerebral e morte. O manejo inicial rápido e eficaz da HIC é fundamental para melhorar o prognóstico neurológico. A fisiopatologia da HIC envolve o aumento do volume de um dos componentes intracranianos (parênquima, sangue ou líquor), levando ao aumento da pressão dentro do crânio. Sinais como anisocoria e Glasgow baixo indicam compressão do tronco cerebral e necessidade de intervenção imediata. A tomografia computadorizada de crânio é essencial para identificar lesões passíveis de tratamento cirúrgico. O tratamento da HIC inclui medidas gerais como elevação da cabeceira a 30 graus, manutenção da normotermia e normovolemia. A administração de soluções hiperosmolares (manitol ou salina hipertônica) é a medida farmacológica de primeira linha para reduzir a PIC rapidamente, enquanto se prepara para o tratamento cirúrgico definitivo, se indicado. A hiperventilação é uma medida de resgate temporária, não profilática.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de hipertensão intracraniana (HIC) em um paciente com TCE?

Os sinais de HIC incluem diminuição do nível de consciência (Glasgow baixo), anisocoria, bradicardia, hipertensão arterial e alterações respiratórias (tríade de Cushing). A anisocoria com midríase unilateral é um sinal de herniação cerebral iminente.

Qual a principal função das soluções hiperosmolares no tratamento da HIC?

As soluções hiperosmolares, como manitol e salina hipertônica, criam um gradiente osmótico que retira água do parênquima cerebral para o espaço intravascular, reduzindo o edema cerebral e, consequentemente, a pressão intracraniana.

Quando a hiperventilação é indicada no TCE?

A hiperventilação é indicada apenas em casos de deterioração neurológica aguda com sinais de herniação cerebral, como medida temporária para reduzir a PIC. Seu uso prolongado pode levar à isquemia cerebral devido à vasoconstrição excessiva.

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