CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2025
Assinale a alternativa que apresente uma correlação correta entre uma doença neuro-oftalmológica e sua alteração de campo visual mais comum.
Hipertensão intracraniana → Papiledema → Alargamento da mancha cega.
O aumento da pressão intracraniana gera edema de papila, o que desloca a retina peripapilar e expande a mancha cega fisiológica na campimetria.
A neuro-oftalmologia utiliza a campimetria como uma ferramenta fundamental para localizar lesões na via visual. A anatomia da via, desde a retina até o córtex occipital, dita o padrão de perda visual. Lesões pré-quiasmáticas (nervo óptico) causam defeitos ipsilaterais, como escotomas centrais ou arqueados. Lesões quiasmáticas resultam em defeitos heterônimos, enquanto lesões retroquiasmáticas produzem defeitos homônimos. O reconhecimento do alargamento da mancha cega no contexto de cefaleia e obscurecimentos visuais transitórios é crucial para o diagnóstico de Hipertensão Intracraniana Idiopática (Pseudotumor Cerebral). Além disso, a diferenciação entre defeitos altitudinais e hemianopsias ajuda a distinguir entre causas vasculares locais do nervo óptico e eventos isquêmicos cerebrais maiores, permitindo uma propedêutica direcionada e urgente quando necessário.
A mancha cega corresponde à projeção visual do disco óptico (papila), local onde não existem fotorreceptores. Na hipertensão intracraniana, ocorre o papiledema (edema bilateral do disco óptico decorrente da pressão elevada transmitida pelo espaço subaracnoideo). Esse edema causa um aumento físico do diâmetro do disco óptico e pode levar ao deslocamento lateral da retina sensorial adjacente (dobras de Paton). Como resultado, a área funcionalmente 'cega' no campo visual se expande concentricamente ao redor da mancha cega fisiológica. É um achado precoce e característico, embora não patognomônico, da hipertensão intracraniana crônica ou aguda grave.
A hemianopsia heterônima, tipicamente bitemporal, ocorre por lesões no quiasma óptico (como adenomas de hipófise), afetando as fibras que cruzam (retina nasal, campo temporal). Já a hemianopsia homônima ocorre por lesões pós-quiasmáticas (trato óptico, radiação óptica ou córtex occipital), onde o paciente perde o mesmo lado do campo visual em ambos os olhos (ex: perda do campo direito em ambos os olhos). No AVC occipital, a alteração clássica é a hemianopsia homônima contralateral à lesão, frequentemente com preservação macular se a artéria cerebral média suprir o polo occipital.
Na neurite óptica inflamatória (comum na Esclerose Múltipla), o defeito mais típico é o escotoma central ou cecocentral, refletindo o dano às fibras do feixe papilomacular, que são altamente sensíveis à inflamação. Já na neuropatia óptica carencial (ou tóxico-carencial, como deficiência de B12 ou alcoolismo), o padrão clássico também é o escotoma cecocentral bilateral e simétrico. O escotoma arqueado é mais sugestivo de glaucoma ou neuropatia óptica isquêmica anterior, enquanto o defeito altitudinal (perda da metade superior ou inferior do campo) é o sinal clássico da neuropatia óptica isquêmica anterior não-arterítica (NOIA-NA).
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