Hipertensão Intracraniana: Sinais Clínicos e Diagnóstico

UFSM/HUSM - Hospital Universitário de Santa Maria (RS) — Prova 2015

Enunciado

Verônica, 34 anos vem a consulta de otorrino no HUSM encaminhada por cefaleia. A paciente diz ter história de sinusite e acredita que é por esse motivo que está enxergando duplo. O exame otorrinolaringológico é absolutamente normal. O médico residente tem que decidir se reencaminha a paciente à atenção básica de saúde, para o neurologista ou para emergência. O preceptor lhe pergunta se a paciente parece ter algum sinal ou sintoma que o leve a pensar em hipertensão intracraniana.Em relação à hipertensão intracraniana, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) É sugerida pela detecção, no exame de fundo de olho, de pulso venoso espontâneo.
  2. B) Associa-se à lesão do VI par craniano.
  3. C) O edema de papila é um achado precoce.
  4. D) Provoca edema de papila, mas não o aparecimento de exsudatos ou hemorragias.
  5. E) A ausência de pulso venoso espontâneo é patognomônica desta condição.

Pérola Clínica

HIC → lesão do VI par craniano (abducente) causando diplopia, e edema de papila (achado tardio).

Resumo-Chave

A hipertensão intracraniana (HIC) pode causar diplopia devido à compressão ou estiramento do VI par craniano (nervo abducente), que é o mais longo e vulnerável dos nervos cranianos. O edema de papila é um sinal importante, mas geralmente tardio.

Contexto Educacional

A hipertensão intracraniana (HIC) é uma condição grave caracterizada pelo aumento da pressão dentro do crânio, que pode ser causada por diversas etiologias, como massas intracranianas, hidrocefalia, hemorragias, edema cerebral ou trombose de seios venosos. O reconhecimento precoce dos seus sinais e sintomas é crucial para evitar danos neurológicos permanentes ou até mesmo a morte. A cefaleia é um sintoma comum, mas a presença de diplopia, como no caso da paciente, é um sinal de alerta importante. A fisiopatologia da HIC envolve a compressão de estruturas cerebrais e nervos cranianos. O nervo abducente (VI par craniano), responsável pela abdução do olho, é particularmente vulnerável ao aumento da pressão intracraniana devido ao seu longo trajeto e sua fixação em pontos específicos, tornando a paralisia do VI par (com consequente diplopia) um sinal precoce e valioso de HIC. O exame de fundo de olho é fundamental para detectar o edema de papila, que é o ingurgitamento do disco óptico devido à estase do fluxo axoplasmático, mas este é um achado geralmente tardio, que pode levar dias a semanas para se desenvolver. O manejo da HIC depende da sua etiologia, mas medidas gerais incluem elevação da cabeceira, hiperventilação controlada, uso de manitol ou solução salina hipertônica para reduzir o edema cerebral, e drenagem liquórica em casos de hidrocefalia. A ausência de pulso venoso espontâneo no fundo de olho pode sugerir HIC, mas não é patognomônica; sua presença, no entanto, é um forte indicativo de pressão intracraniana normal. A avaliação neurológica completa e exames de imagem (tomografia ou ressonância) são essenciais para o diagnóstico e planejamento terapêutico.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas e sinais de hipertensão intracraniana?

Os sintomas incluem cefaleia, náuseas, vômitos e alterações visuais. Os sinais podem ser edema de papila (tardio), paralisia do VI par craniano (diplopia), e alterações do nível de consciência.

Por que a hipertensão intracraniana causa diplopia?

A HIC pode causar diplopia devido à compressão ou estiramento do nervo abducente (VI par craniano), que é o mais longo e tem um trajeto mais vulnerável dentro do crânio, sendo facilmente afetado pelo aumento da pressão.

Qual a importância do pulso venoso espontâneo no exame de fundo de olho?

A presença de pulso venoso espontâneo no fundo de olho geralmente indica pressão intracraniana normal. Sua ausência, embora não patognomônica, pode sugerir aumento da pressão intracraniana, mas não é um sinal definitivo.

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