TCE Grave: Tríade de Cushing e Tomografia de Crânio

HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem de 32 anos, sem comorbidades, vítima de um grave acidente automobilístico moto contra carro (ele era o motociclista e usava capacete), é trazido pelo corpo de bombeiros a unidade de emergência onde é iniciado o protocolo de atendimento com monitorização, acesso venoso, oxigênio por meio de máscara não reinalante a 15l/min, um ECG 12 derivações e o preparo do material para intubação orotraqueal. Ao exame físico: paciente apresentando múltiplas escoriações e equimoses em todo o corpo, membro inferior direito rodado externamente e mais curto que o esquerdo, rebaixamento do nível de consciência, sem abertura ocular a dor, emitindo alguns sons incompreensíveis e fletindo anormalmente os membros superiores à dor. Pupilas isocóricas, não fotorreagentes. No monitor multiparamétrico PA: 170x95 mmHg; FC: 48 bpm; FR: 10 irpm; Sat: 90%. Ausculta com Murmúrio vesicular reduzido em base direita, sem ruídos adventícios. Ritmo cardíaco regular, em dois tempos e sem sopros. ECG realizado na sala de emergência: Considerando a hipótese principal, escolha a alternativa que melhor aponta o sistema ou órgão envolvido e o exame complementar que poderia ajudar a confirmar seu diagnóstico rapidamente.

Alternativas

  1. A) Pulmonar; angiotomografia do tórax
  2. B) Cardíaco; ecocardiograma transtorácico
  3. C) Pulmonar; radiografia de tórax no leito
  4. D) Neurológico; tomografia de crânio

Pérola Clínica

TCE grave + Tríade de Cushing (Hipertensão, Bradicardia, Bradipneia) + Pupilas não fotorreagentes → Hipertensão Intracraniana, TC de crânio urgente.

Resumo-Chave

A tríade de Cushing (hipertensão, bradicardia e bradipneia), associada a rebaixamento do nível de consciência e pupilas não fotorreagentes, é um sinal clássico de hipertensão intracraniana grave e iminência de herniação cerebral. Nesses casos, a prioridade é a avaliação neurológica e a realização imediata de uma tomografia de crânio para identificar a lesão e guiar o manejo.

Contexto Educacional

O Trauma Cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de morte e incapacidade em pacientes traumatizados. A avaliação e o manejo rápidos e eficazes são cruciais para otimizar o prognóstico. A suspeita de TCE grave é levantada por rebaixamento do nível de consciência, alterações pupilares e, classicamente, pela presença da Tríade de Cushing. A Tríade de Cushing, caracterizada por hipertensão arterial, bradicardia e bradipneia, é um sinal tardio, mas alarmante, de hipertensão intracraniana (PIC) grave e iminência de herniação cerebral. A presença de pupilas não fotorreagentes, especialmente se unilateral, indica compressão do nervo oculomotor e é um sinal de lesão neurológica grave. A Escala de Coma de Glasgow (ECG) é fundamental para quantificar o nível de consciência, sendo um ECG ≤ 8 um critério para TCE grave e indicação de intubação. Diante desses achados, a prioridade máxima é a avaliação do sistema neurológico e a realização de uma tomografia de crânio de emergência. Este exame é o padrão-ouro para identificar lesões intracranianas como hematomas (epidural, subdural, intraparenquimatoso), contusões e edema cerebral, que são as causas do aumento da PIC. O manejo subsequente visa controlar a PIC, otimizar a perfusão cerebral e tratar as lesões específicas identificadas.

Perguntas Frequentes

O que é a Tríade de Cushing e qual sua importância no trauma?

A Tríade de Cushing é um conjunto de sinais (hipertensão arterial, bradicardia e bradipneia) que indica aumento da pressão intracraniana (PIC) e compressão do tronco cerebral. Sua presença é um sinal de alarme para iminência de herniação cerebral e requer intervenção imediata.

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de hipertensão intracraniana após trauma?

A conduta inicial inclui estabilização das vias aéreas, ventilação e circulação, seguida de avaliação neurológica rápida. A realização de uma tomografia de crânio de emergência é prioritária para identificar lesões que causem aumento da PIC, como hematomas ou edema cerebral.

Como a Escala de Coma de Glasgow (ECG) é utilizada para avaliar o TCE?

A ECG avalia o nível de consciência através de três parâmetros: abertura ocular, resposta verbal e resposta motora. Uma pontuação de 8 ou menos geralmente indica TCE grave e a necessidade de intubação orotraqueal para proteção das vias aéreas e controle da ventilação.

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