Manejo do TCE Grave: Hipertensão Intracraniana e Condutas

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2023

Enunciado

Homem de 25 anos, sem uso de capacete, sofre acidente de moto. Chega na sala de trauma conduzido pelo SAMU, entubado (7 pontos na escala de coma de Glasgow na cena do acidente). Colar cervical devidamente posicionado, com ausculta pulmonar sem alterações, abdome plano (não sendo possível avaliar a dor), bacia estável, sem sinais clínicos de fraturas em membros superiores e inferiores. Na cabeça, observa-se um hematoma subgaleal em região occipital, presença de Sinais de Guaxinim e de Battle. Pupilas anisocóricas com midríase fixa à direita. Sinais vitais e parâmetros de monitorização: FC 88 bpm, PA 210/120mmHg, SO2: 100%. Diante deste quadro, qual conduta NÃO seria prescrita inicialmente na sala de trauma?

Alternativas

  1. A) Cabeceira elevada 30 graus 
  2. B) Manitol 20% - 250mL endovenoso rápido
  3. C) Captopril 50mg sublingual para controlar a pressão arterial
  4. D) Fenitoina 3 ampolas diluída em 250mL de soro fisiológico

Pérola Clínica

TCE grave + Sinais de HIC (anisocoria, hipertensão, bradicardia) → Evitar hipotensão cerebral, NÃO usar anti-hipertensivo que reduza PPC.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais clássicos de hipertensão intracraniana (HIC) e herniação cerebral (anisocoria, midríase fixa, tríade de Cushing). A prioridade é reduzir a HIC e manter a pressão de perfusão cerebral (PPC). O uso de captopril sublingual reduziria rapidamente a PA, comprometendo a PPC e piorando o prognóstico.

Contexto Educacional

O paciente apresenta um quadro de Trauma Cranioencefálico (TCE) grave, evidenciado pelo Glasgow de 7, sinais de trauma craniano (hematoma subgaleal, Sinais de Guaxinim e Battle indicando fratura de base de crânio) e, mais criticamente, sinais de hipertensão intracraniana (HIC) e herniação cerebral iminente. A anisocoria com midríase fixa à direita, juntamente com a hipertensão arterial (210/120 mmHg) e bradicardia (FC 88 bpm), compõe a Tríade de Cushing, um sinal tardio de HIC e compressão do tronco cerebral. No manejo inicial do TCE grave com HIC, o objetivo primordial é reduzir a pressão intracraniana (PIC) e otimizar a pressão de perfusão cerebral (PPC = PAM - PIC). Condutas como elevação da cabeceira a 30 graus e administração de manitol 20% são padrão para reduzir a PIC. A fenitoína é utilizada para profilaxia de convulsões pós-traumáticas precoces. A administração de captopril sublingual para controlar a pressão arterial seria uma conduta inadequada e perigosa. Embora a PA esteja elevada, essa hipertensão pode ser um mecanismo compensatório para manter a PPC diante de uma PIC muito alta (Tríade de Cushing). Uma redução abrupta da PA com um anti-hipertensivo de ação rápida como o captopril pode levar à hipotensão cerebral, diminuindo drasticamente a PPC e exacerbando a isquemia cerebral, com consequências catastróficas para o paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de hipertensão intracraniana (HIC) em um paciente com TCE?

Sinais de HIC incluem alteração do nível de consciência, cefaleia, vômitos em jato, papiledema, e a Tríade de Cushing (hipertensão arterial, bradicardia e alterações respiratórias). Anisocoria e midríase fixa indicam herniação.

Por que a elevação da cabeceira e o manitol são condutas iniciais no TCE grave com HIC?

A elevação da cabeceira a 30 graus facilita o retorno venoso cerebral, diminuindo o volume sanguíneo intracraniano. O manitol é um diurético osmótico que reduz o edema cerebral e o volume de líquido cefalorraquidiano, diminuindo a HIC.

Qual a importância da pressão arterial no manejo do TCE grave?

Manter uma pressão arterial adequada é crucial para garantir uma pressão de perfusão cerebral (PPC) suficiente. Hipotensão deve ser evitada a todo custo, pois reduz a PPC e agrava a lesão cerebral. A hipertensão, se presente, pode ser um mecanismo compensatório para manter a PPC.

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