TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2022
Sobre Hipertensão Intracraniana é INCORRETO afirmar que:
PPC = PAM - PIC. Tríade de Cushing (HAS + Bradicardia + Respiração Irregular) indica HIC grave iminente.
O manejo da HIC segue um escalonamento: medidas gerais, seguidas de específicas. A craniectomia descompressiva é uma medida de resgate e não é indicada universalmente.
A Hipertensão Intracraniana (HIC) é definida como uma elevação sustentada da PIC acima de 20-22 mmHg. A fisiopatologia é regida pela Doutrina de Monro-Kellie, que estabelece que o volume intracraniano (composto por parênquima, sangue e líquor) é constante; o aumento de um componente exige a redução compensatória dos outros. Quando esses mecanismos de complacência falham, a PIC sobe exponencialmente. O tratamento é estratificado em níveis. O nível 1 foca em medidas gerais e drenagem de líquor se houver DVE. O nível 2 utiliza terapia hiperosmolar e hiperventilação leve transitória. O nível 3 reserva-se para casos refratários, incluindo coma barbitúrico, hipotermia induzida ou craniectomia descompressiva. É crucial notar que intervenções agressivas como a craniectomia possuem indicações específicas (ex: trauma cranioencefálico em jovens ou AVC isquêmico maligno) e não devem ser generalizadas para todos os pacientes sem critérios claros.
A Pressão de Perfusão Cerebral (PPC) é calculada pela diferença entre a Pressão Arterial Média (PAM) e a Pressão Intracraniana (PIC), ou seja: PPC = PAM - PIC. Em pacientes com lesão cerebral aguda, o objetivo clínico é manter a PPC geralmente entre 60 e 70 mmHg para garantir o fluxo sanguíneo cerebral adequado e evitar isquemia secundária.
A Tríade de Cushing é um sinal clínico clássico, porém tardio, de hipertensão intracraniana grave e iminência de herniação cerebral. Ela é composta por: 1) Hipertensão arterial (frequentemente com pressão de pulso alargada), 2) Bradicardia e 3) Alterações no ritmo respiratório (como respiração de Cheyne-Stokes ou depressão respiratória).
As medidas iniciais incluem a elevação da cabeceira (30-45 graus), manutenção da cabeça em posição neutra para facilitar o retorno venoso, sedação e analgesia adequadas, controle da temperatura (evitar hipertermia), manutenção da euvolemia e controle rigoroso da glicemia e eletrólitos. Terapias hiperosmolares (manitol ou salina hipertônica) são utilizadas quando há sinais de hipertensão intracraniana persistente.
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