UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2024
Paciente masculino, 59 anos de idade, foi submetido à laparotomia exploradora por trauma abdominal fechado e, no pós-operatório na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), evoluiu com quadro de distensão abdominal, ausculta de ruídos hidroaéreos abdominais reduzidos (quase abolidos) e pressão intra-abdominal (PIA) aferida de 24 mmHg. Taquicárdico e hipotenso. Em uso de nutrição enteral, com sonda locada em estômago.Analise as seguintes afirmativas e sua relação com o caso acima:I. A Pressão intra-abdominal de 24 mmHg é classificada como hipertensão intra-abdominal grau III.II. A PIA elevada predispõe à isquemia e injúria aguda.III. A Pressão de perfusão abdominal (PPA) é dada pela subtração da Pressão Arterial média (PAM) pela PIAIV. Neste caso a nutrição enteral deverá ser mantida, pois não há risco de má absorção. Está CORRETO o que se afirma em:
PIA ≥ 20 mmHg com disfunção orgânica = Síndrome Compartimental Abdominal; PPA = PAM - PIA.
Hipertensão intra-abdominal (HIA) grau III (PIA 21-25 mmHg) pode levar à isquemia e injúria orgânica. A Pressão de Perfusão Abdominal (PPA = PAM - PIA) é um indicador crítico da perfusão esplâncnica e renal, e sua redução é um sinal de alerta.
A hipertensão intra-abdominal (HIA) é definida como uma pressão intra-abdominal (PIA) sustentada e patológica maior ou igual a 12 mmHg. É uma complicação comum em pacientes críticos, especialmente após trauma abdominal ou cirurgias extensas, e pode levar à síndrome compartimental abdominal (SCA) quando associada a nova disfunção ou falência orgânica. A PIA de 24 mmHg no caso apresentado é classificada como HIA Grau III (21-25 mmHg), indicando um risco significativo de comprometimento orgânico. A elevação da PIA tem efeitos deletérios em múltiplos sistemas orgânicos. No sistema cardiovascular, aumenta a pós-carga e diminui o retorno venoso, levando a hipotensão e taquicardia. No sistema respiratório, eleva a pressão intratorácica, comprometendo a ventilação. No sistema renal, reduz a perfusão e a filtração glomerular, podendo causar injúria renal aguda. No sistema gastrointestinal, a HIA pode levar à isquemia intestinal, má absorção e translocação bacteriana, aumentando o risco de sepse. A Pressão de Perfusão Abdominal (PPA), calculada como PAM - PIA, é um parâmetro vital para monitorar a perfusão esplâncnica e renal. Uma PPA < 60 mmHg é associada a pior prognóstico. O manejo da HIA inclui otimização volêmica, sedação, descompressão gástrica/intestinal, uso de agentes procinéticos e, em casos de SCA refratária, a descompressão cirúrgica. A nutrição enteral deve ser suspensa em HIA grave devido ao risco de isquemia intestinal e má absorção.
A HIA é classificada em graus: Grau I (12-15 mmHg), Grau II (16-20 mmHg), Grau III (21-25 mmHg) e Grau IV (> 25 mmHg). Uma PIA de 24 mmHg corresponde à HIA Grau III.
A PPA é a diferença entre a Pressão Arterial Média (PAM) e a Pressão Intra-Abdominal (PIA) (PPA = PAM - PIA). É um indicador crucial da perfusão dos órgãos abdominais e da resposta à ressuscitação, sendo um alvo terapêutico para evitar disfunção orgânica.
Em HIA grave, a pressão elevada pode comprometer a perfusão intestinal, levando à isquemia, má absorção e aumento do risco de translocação bacteriana. Nesses casos, a nutrição enteral deve ser suspensa e a nutrição parenteral considerada, se necessário.
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