Hipertensão Intra-Abdominal: Diagnóstico e Manejo Pós-Trauma

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 26a, vítima de múltiplos ferimentos penetrantes foi submetido à laparotomia exploradora por choque hemorrágico, recebeu 8 unidades de concentrados de hemácias e 6 litros de solução cristaloides aquecidas no intraoperatório. Interna na Unidade de Terapia Intensiva e após 12 horas apresenta-se com os seguintes parâmetros: PA= 90x65 mmHg, FC= 114 bpm, sob ventilação mecânica de FiO2= 0.80, PEEP =10 cmH2O, Oximetria de pulso= 95%, Pressão intra-abdominal (inicial)= 20mmHg, Diurese= 0,6 ml/kg/h. A CONDUTA É:

Alternativas

  1. A) Hidratação rigorosa e monitorização da pressão venosa central.
  2. B) Tomografia computadorizada de abdome e controle da creatinina e ureia.
  3. C) Diminuir conteúdo intraluminal e sedo analgesia adequada.
  4. D) Ultrassonografia point-of-care e aumentar PEEP se veia cava inferior colabada.

Pérola Clínica

Hipertensão intra-abdominal pós-trauma → descompressão e otimização da perfusão.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais de hipertensão intra-abdominal (PIA > 12 mmHg), com pressão de 20 mmHg, e disfunção orgânica (hipotensão, taquicardia, oligúria, alta FiO2/PEEP). Isso sugere síndrome compartimental abdominal (SCA). A conduta inicial visa reduzir a PIA, incluindo diminuição do conteúdo intraluminal e sedoanalgesia para relaxamento da parede abdominal.

Contexto Educacional

Pacientes vítimas de trauma grave, especialmente aqueles submetidos a laparotomias extensas e reanimação volêmica maciça, estão em alto risco de desenvolver hipertensão intra-abdominal (HIA) e síndrome compartimental abdominal (SCA). A HIA é definida como uma pressão intra-abdominal (PIA) sustentada acima de 12 mmHg, enquanto a SCA é a HIA associada a nova disfunção ou falência orgânica. A fisiopatologia envolve o aumento do volume dentro da cavidade abdominal (sangue, edema, líquido ascítico, conteúdo intestinal) ou a diminuição da complacência da parede abdominal. A elevação da PIA tem consequências sistêmicas graves, comprometendo a função respiratória (elevação do diafragma, aumento da pressão intratorácica, diminuição da complacência pulmonar), cardiovascular (diminuição do retorno venoso, aumento da pós-carga), renal (diminuição da perfusão renal e oligúria) e neurológica (aumento da pressão intracraniana). No caso apresentado, a PIA de 20 mmHg, associada a hipotensão, taquicardia, oligúria e necessidade de alta FiO2/PEEP, sugere fortemente SCA. O manejo da HIA/SCA é uma emergência e visa reduzir a PIA para restaurar a perfusão orgânica. As medidas incluem otimização da sedoanalgesia para relaxar a parede abdominal, descompressão gástrica e intestinal (sondas), otimização do balanço hídrico para evitar sobrecarga, e, em casos refratários ou graves, a descompressão cirúrgica (laparostomia). O reconhecimento precoce e a intervenção adequada são cruciais para prevenir a falência de múltiplos órgãos e melhorar o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para hipertensão intra-abdominal (HIA) e síndrome compartimental abdominal (SCA)?

HIA é definida por uma pressão intra-abdominal (PIA) sustentada ≥ 12 mmHg. SCA é a HIA sustentada associada a nova disfunção ou falência orgânica.

Quais são as principais causas de hipertensão intra-abdominal em pacientes politraumatizados?

As causas incluem sangramento intra-abdominal, edema visceral pós-reanimação volêmica maciça, íleo paralítico, ascite, pneumoperitônio e fechamento abdominal tenso.

Quais as medidas não cirúrgicas para reduzir a pressão intra-abdominal?

Incluem sedoanalgesia adequada, descompressão gástrica e intestinal (sondas), otimização do balanço hídrico, uso de agentes procinéticos, e posicionamento do paciente (cabeceira elevada).

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