PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2019
Ana, 33 anos, vítima de trauma contuso abdominal após colisão auto-anteparo. É levada pela equipe pré hospitalar para o hospital de referência de trauma e dá entrada na sala de emergência 25 minutos após o evento traumático. Na sala de emergência a paciente foi atendida conforme o protocolo do ATLS. Diagnosticou-se choque grau II que respondeu às medidas iniciais, mantendo pressão arterial sistólica de 110mmHg e frequência cardíaca de 100bpm. Após a estabilização a equipe assistente decidiu submeter a paciente ao exame de tomografia do abdome com contraste, onde observou- se lesão hepática isolada grau III segundo a AAST (Associação Americana de Cirurgia do Trauma). Optou-se por tratamento não operatório e a paciente foi conduzida à UTI. Ao final das primeiras 24 horas de internação em UTI a paciente evoluiu com piora dos parâmetros ventilatórios e necessitou intubação orotraqueal. Os parâmetros de ventilação foram ajustados em ventilação por pressão, com PEEP (pressão positiva expiratória final) de 12 e abdome com distensão, porém compressível. A gasometria indicou acidose respiratória. O médico residente observou redução progressiva do débito urinário. A equipe assistente suspeitando de HIA (hipertensão intra-abdominal) solicitou a mensuração da PIA (pressão intra-abdominal) e instituiu em medidas clínicas para a resolução do quadro. As medidas clínicas impediram a evolução da PIA na primeira hora de observação, porém, essa voltou a subir atingindo 25mmHg. Sobre o caso clínico apresentado, assinale CERTO para verdadeiro e ERRADO para falso para a afirmação a seguir: Na predição de falência múltipla de órgãos e do prognóstico, os indicadores apresentam a seguinte ordem de acurácia: PIA > PPA > excesso de base > pH arterial > lactato.
PPA (PAM - PIA) é melhor preditor de perfusão tecidual e desfecho que a PIA isolada.
A Pressão de Perfusão Abdominal (PPA = PAM - PIA) reflete melhor o fluxo sanguíneo visceral e a sobrevida do que a pressão intra-abdominal isolada ou marcadores metabólicos tardios.
A Hipertensão Intra-abdominal (HIA) é uma complicação frequente em traumas graves submetidos a grandes reposições volêmicas. A fisiopatologia envolve a redução do retorno venoso, compressão renal e compressão do parênquima pulmonar, levando à falência múltipla de órgãos. A questão aborda a acurácia prognóstica, onde a literatura destaca que a PPA (Pressão de Perfusão Abdominal) é o indicador mais sensível para prever desfechos favoráveis, superando parâmetros metabólicos como excesso de base e lactato, que são marcadores mais tardios de hipoperfusão.
A HIA é definida pela elevação sustentada ou repetida da pressão intra-abdominal (PIA) ≥ 12 mmHg. Ela é graduada de I a IV, sendo o grau IV acima de 25 mmHg. É uma condição crítica em pacientes de UTI e trauma, podendo evoluir para a Síndrome do Compartimento Abdominal (SCA) quando há disfunção orgânica associada (PIA > 20 mmHg + nova disfunção).
A Pressão de Perfusão Abdominal (PPA), calculada como PAM menos a PIA, leva em conta a pressão necessária para perfundir os órgãos contra a resistência da cavidade abdominal. Estudos sugerem que manter a PPA > 60 mmHg está mais fortemente associado à sobrevida e à função renal do que focar apenas na redução da PIA ou na normalização do pH e lactato.
O padrão-ouro clínico é a técnica transvesical (método de Kron). Instila-se no máximo 25 ml de soro fisiológico na bexiga, com o paciente em decúbito dorsal zero, realizando a leitura ao final da expiração. A monitorização deve ser seriada em pacientes de risco para detectar tendências de elevação antes da falência orgânica.
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