Eritropoetina e Hipertensão: Efeitos Adversos e Manejo

IOVALE - Instituto de Olhos do Vale (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 62 anos de idade procura atendimento médico devido à cefaleia, palpitações e náuseas, iniciadas há 2 meses. Tem glomerulonefrite crônica com insuficiência renal progressiva. É também portador de DPOC há 8 anos, tratado com broncodilatador e brometo de ipatrópio inalatórios e glicocorticóide em pequena dose há 5 anos. Está em uso de eritropoetina 10.000 unidades subcutânea semanal há 2 meses devido à anemia associada à insuficiência renal. Sem antecedentes de hipertensão arterial. Em sua consulta anterior, realizada há dois meses, apresentava PA= 120 x 80 mmHg e hematócrito de 25% e creatinina de 3,2 mg/ dL.No exame atual, apresentava pulso de 96 bpm e PA = 170 x110 mmHg sem turgência jugular. Ausculta pulmonar e cardíaca sem alterações. Edema de MMII (+/+4) e P= 97kg. Exames laboratoriais: hematócrito = 36%, ureia=57mg/dl, creatinina=3,5mg/dl, sódio sérico= 135 mEq/l e potássio: 3,9 mEq/L. O que explicaria a hipertensão de início atual neste paciente?

Alternativas

  1. A) Síndrome de Cushing iatrogênica.
  2. B) Piora da insUficiência renal.
  3. C) Hipertensão essencial.
  4. D) Complicação da administração de eritropoetina.

Pérola Clínica

Hipertensão de início recente + uso de eritropoetina + ↑ hematócrito → Complicação da eritropoetina.

Resumo-Chave

A eritropoetina, utilizada para tratar a anemia associada à doença renal crônica, pode causar ou agravar a hipertensão arterial, especialmente quando há um aumento rápido do hematócrito. A elevação da pressão arterial é um efeito adverso bem conhecido e deve ser monitorada de perto, sendo a causa mais provável da hipertensão de início recente neste paciente com DRC e uso de eritropoetina.

Contexto Educacional

A anemia é uma complicação comum e significativa da doença renal crônica (DRC), frequentemente tratada com agentes estimuladores da eritropoiese, como a eritropoetina. Embora eficaz no tratamento da anemia, a eritropoetina não é isenta de efeitos adversos, sendo a hipertensão arterial um dos mais importantes e frequentemente observados. A identificação dessa complicação é crucial para o manejo adequado do paciente com DRC. A fisiopatologia da hipertensão induzida por eritropoetina é multifatorial, envolvendo o aumento da viscosidade sanguínea devido à elevação do hematócrito, a ativação do sistema renina-angiotensina, a disfunção endotelial e o aumento da resistência vascular periférica. O diagnóstico é clínico, baseado no início ou agravamento da hipertensão após o início da terapia com eritropoetina, especialmente quando há um aumento significativo do hematócrito. Sintomas como cefaleia e palpitações podem ser indicativos de picos hipertensivos. O tratamento da hipertensão induzida por eritropoetina envolve o ajuste da dose da eritropoetina para manter o hematócrito dentro dos alvos terapêuticos recomendados (geralmente entre 30-36%), evitando elevações rápidas. Além disso, a terapia anti-hipertensiva deve ser otimizada ou iniciada, se necessário, para controlar a pressão arterial. O monitoramento regular da pressão arterial e do hematócrito é essencial para prevenir e gerenciar essa complicação, garantindo a segurança e a eficácia do tratamento da anemia na DRC.

Perguntas Frequentes

Quais os mecanismos da hipertensão induzida por eritropoetina?

Os mecanismos incluem o aumento da viscosidade sanguínea, ativação do sistema renina-angiotensina, disfunção endotelial, aumento da resistência vascular periférica e efeitos diretos da eritropoetina sobre as células musculares lisas vasculares.

Como monitorar a pressão arterial em pacientes usando eritropoetina?

A pressão arterial deve ser monitorada regularmente antes e durante o tratamento com eritropoetina. É crucial manter o hematócrito dentro da faixa alvo recomendada para evitar aumentos rápidos que possam precipitar ou agravar a hipertensão.

Qual a conduta para hipertensão induzida por eritropoetina?

A conduta inclui o ajuste da dose de eritropoetina para evitar elevações rápidas do hematócrito, otimização da terapia anti-hipertensiva e, se necessário, a introdução de novos agentes anti-hipertensivos para controlar a pressão arterial.

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