PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2020
Mulher branca, 43 anos de idade, 4 gestações anteriores, todas tendo evoluído com parto normal. Última gestação há 10 anos. Refere que nas duas últimas gestações apresentou picos pressórios que melhoraram após o parto. Vem em consulta de pré-natal pois está grávida de 8 semanas do seu novo marido. No momento encontra-se obesa grau 2 e é tabagista meio maço por dia. Com relação à situação atual da paciente, a conduta terapêutica a ser indicada nesse momento, é o uso
Hipertensão na gravidez: Metildopa é 1ª escolha, segura e eficaz, mesmo sendo 'leve'.
A metildopa é o anti-hipertensivo de primeira linha e mais estudado para uso na gestação devido ao seu perfil de segurança para a mãe e o feto, apesar de ser considerada um agente de menor potência em comparação com outros anti-hipertensivos.
A hipertensão na gravidez é uma das complicações médicas mais comuns e uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. A paciente do caso apresenta múltiplos fatores de risco, como idade avançada (43 anos), obesidade grau 2, tabagismo e histórico de picos pressóricos em gestações anteriores, o que a classifica como uma gestação de alto risco para distúrbios hipertensivos. O manejo adequado é crucial para prevenir complicações como pré-eclâmpsia, restrição de crescimento intrauterino e parto prematuro. A fisiopatologia da hipertensão gestacional envolve disfunção endotelial e alterações na placentação, resultando em aumento da resistência vascular periférica. No caso da paciente, a história de picos pressóricos anteriores sugere uma predisposição, e os fatores de risco atuais exacerbam essa condição. O diagnóstico é feito pela medição regular da pressão arterial durante o pré-natal, e o tratamento visa controlar a pressão para evitar danos aos órgãos-alvo maternos e garantir a perfusão placentária. A metildopa é o anti-hipertensivo de primeira escolha para o tratamento da hipertensão na gravidez devido ao seu extenso histórico de segurança e eficácia comprovada para a mãe e o feto. Embora seja considerada um agente de ação "leve", sua segurança supera a potência em um cenário onde a teratogenicidade é uma preocupação primordial. Outras opções como labetalol e nifedipino também são seguras, mas diuréticos tiazídicos e, principalmente, IECA/BRA são contraindicados devido aos riscos fetais. O acompanhamento pré-natal rigoroso é fundamental para monitorar a pressão arterial e a saúde materno-fetal.
Inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA) e bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA) são absolutamente contraindicados devido aos seus efeitos teratogênicos, especialmente no segundo e terceiro trimestres.
Outras opções seguras incluem labetalol (beta-bloqueador) e nifedipino (bloqueador dos canais de cálcio), especialmente em casos de hipertensão mais grave ou refratária à metildopa.
Fatores de risco incluem idade materna avançada (>35 anos), obesidade, hipertensão crônica prévia, histórico de pré-eclâmpsia em gestações anteriores, diabetes, tabagismo e gestação múltipla.
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