UEPA - Universidade do Estado do Pará - Santarém — Prova 2018
Roberta, 30 anos, faz acompanhamento de pré- natal regular na unidade básica de saúde próxima a sua casa. Abaixo registro da última consulta em 03/11/2017 no modelo SOAP: S – Consulta de pré-natal. Sem queixas no momento. Gravidez planejada. O – 2a consulta. DUM= 21/04/17, bem datada. G3Pn2A0, gestações anteriores sem intercorrências. Bom estado geral, corada, hidratada, eupneica. PA 150/100mmHg. FC 70bpm. FR 16irpm. BCF 140bpm, FU compatível com a IG. Apresentação: cefálico e dorso lateral direito. Edema em MMII ++/4+, simétricos. Não tem exames complementares. Está aguardando USG. Registros anteriores: PA 120/80mmHg. 20. De acordo com as recomendações do Ministério da Saúde, assinale a alternativa que contem as Avaliações (A) e Planos (P) do médico da UBS, no modelo SOAP, respectivamente:
PA ≥ 140/90 mmHg após 20 semanas de IG em gestante normotensa prévia → Hipertensão Gestacional/Risco DHEG. Encaminhar alto risco.
A elevação da pressão arterial (PA ≥ 140/90 mmHg) após 20 semanas de gestação, em uma paciente previamente normotensa, caracteriza hipertensão gestacional. A presença de edema não é mais critério diagnóstico isolado para pré-eclâmpsia, mas a elevação da PA exige investigação e acompanhamento de alto risco para descartar pré-eclâmpsia e suas complicações.
A hipertensão na gravidez é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais para a saúde da mãe e do bebê. A hipertensão gestacional é definida como o surgimento de hipertensão após a 20ª semana de gestação em mulheres previamente normotensas, sem proteinúria ou sinais de disfunção de órgãos-alvo. É fundamental diferenciar da hipertensão crônica e da pré-eclâmpsia, que possui critérios adicionais de gravidade. O acompanhamento pré-natal na atenção primária tem um papel vital na identificação de fatores de risco e no rastreamento de condições como a hipertensão gestacional. A aferição regular da pressão arterial, a correta datação da gestação (preferencialmente por ultrassonografia precoce) e a avaliação de sintomas são passos essenciais. Uma vez identificada a elevação da PA, a gestante deve ser prontamente investigada com exames laboratoriais para avaliar a função renal, hepática e a contagem de plaquetas, além da pesquisa de proteinúria, a fim de descartar pré-eclâmpsia. O plano de cuidado para gestantes com hipertensão gestacional inclui monitoramento rigoroso da PA, acompanhamento mais frequente, orientações sobre dieta hipossódica e atividade física leve, e reconhecimento dos sinais de alerta (cefaleia, escotomas, dor epigástrica, etc.). O encaminhamento para um serviço de pré-natal de alto risco é mandatório para um manejo especializado e para a prevenção de complicações graves como a eclampsia, Síndrome HELLP e restrição de crescimento intrauterino.
A hipertensão gestacional é diagnosticada pela presença de pressão arterial sistólica ≥ 140 mmHg e/ou diastólica ≥ 90 mmHg, aferida em duas ocasiões com pelo menos 4 horas de intervalo, após 20 semanas de gestação, em mulher previamente normotensa e sem proteinúria ou disfunção de órgãos-alvo.
A conduta inicial inclui confirmar a elevação da PA, solicitar exames laboratoriais (hemograma, plaquetas, creatinina, ácido úrico, proteinúria de 24h ou relação proteína/creatinina urinária), orientar sobre sinais de alerta, dieta e atividade física, e encaminhar para acompanhamento em serviço de pré-natal de alto risco.
A idade gestacional é calculada contando o número de semanas completas desde o primeiro dia da última menstruação (DUM). No caso, de 21/04/17 a 03/11/17, a idade gestacional é de 28 semanas, o que corresponde ao 3º trimestre.
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