Hipertensão Gestacional: Diagnóstico e Manejo com Metildopa

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026

Enunciado

Secundigesta, 35 anos, um parto vaginal há 4 anos, procura a emergência obstétrica devido à cefaleia. Está com 34 semanas de gestação, indicada por ultrassonografia de 12 semanas. Refere pré-natal sem intercorrência até então e diz não possuir doenças crônicas. Está em uso de cálcio e sulfato ferroso. Nega contrações e perdas vaginais e relata boa movimentação fetal. Ao exame, apresenta bom estado geral, PA – 155x105 mmHg, altura uterina de 32 cm, ausência de contrações, batimentos cardiofetais de 145 bpm e cardiotocografia categoria I. Solicitados exames laboratoriais, que retornaram os seguintes resultados: P/C – 0,1; creatinina – 0,7 mg/dL, Hb – 11,9 g/dL, plaquetas – 160.000/mm³; bilirrubina total – 0,6; TGO - 26 U/L. Qual é a hipótese diagnóstica e o tratamento adequado, respectivamente?

Alternativas

  1. A) Hipertensão arterial crônica – anlodipino.
  2. B) Pré-eclâmpsia – sulfato de magnésio.
  3. C) Hipertensão gestacional – metildopa.
  4. D) Hipertensão transitória – nifedipino.
  5. E) Iminência de eclâmpsia – sulfato de magnésio.

Pérola Clínica

PA ≥ 140/90 após 20 sem + Proteinúria negativa = Hipertensão Gestacional.

Resumo-Chave

A hipertensão gestacional é definida pelo surgimento de níveis pressóricos elevados após a 20ª semana sem sinais de pré-eclâmpsia (proteinúria ou disfunção orgânica). O tratamento de escolha para controle ambulatorial é a metildopa.

Contexto Educacional

As síndromes hipertensivas da gestação são classificadas em quatro categorias principais: hipertensão arterial crônica, pré-eclâmpsia/eclâmpsia, pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão crônica e hipertensão gestacional. A distinção correta é fundamental, pois a pré-eclâmpsia exige vigilância muito mais estreita e, dependendo da gravidade, a interrupção da gestação. No caso clínico apresentado, a paciente possui níveis pressóricos elevados (155/105 mmHg) mas exames laboratoriais normais, incluindo uma relação proteína/creatinina (P/C) de 0,1 (valor de referência para pré-eclâmpsia é ≥ 0,3). Portanto, o diagnóstico é de hipertensão gestacional. O tratamento com metildopa é indicado para controle pressório e prevenção de picos hipertensivos, mantendo-se o acompanhamento ambulatorial frequente para detectar precocemente qualquer sinal de progressão para pré-eclâmpsia.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar hipertensão gestacional de pré-eclâmpsia?

A hipertensão gestacional é definida como o surgimento de pressão arterial sistólica ≥ 140 mmHg e/ou diastólica ≥ 90 mmHg, verificada em duas ocasiões com intervalo de pelo menos 4 horas, em uma mulher previamente normotensa após a 20ª semana de gestação, sem a presença de proteinúria ou outros critérios de disfunção orgânica (como trombocitopenia, insuficiência renal, alteração hepática ou sintomas visuais/neurológicos). É um diagnóstico de exclusão em relação à pré-eclâmpsia. Embora muitas vezes considerada uma condição mais leve, a hipertensão gestacional requer monitoramento rigoroso, pois cerca de 25% a 50% dessas pacientes progredirão para pré-eclâmpsia franca, aumentando os riscos perinatais e maternos.

Quando iniciar tratamento medicamentoso na hipertensão gestacional?

O início da terapia anti-hipertensiva na gestação é indicado quando os níveis pressóricos atingem valores ≥ 150/100 mmHg (algumas diretrizes sugerem 140/90 mmHg se houver comorbidades ou risco aumentado). O objetivo não é normalizar a pressão, mas sim mantê-la em níveis seguros (geralmente entre 120-139/80-89 mmHg) para evitar complicações maternas como o acidente vascular cerebral, sem comprometer o fluxo sanguíneo uteroplacentário. A metildopa é o fármaco de primeira linha para o controle crônico devido ao seu longo histórico de segurança fetal. Outras opções incluem nifedipino de liberação lenta e hidralazina (esta última mais usada em crises agudas).

Quais exames solicitar para investigar pré-eclâmpsia?

Diante de uma gestante com hipertensão após 20 semanas, é obrigatória a investigação de lesão de órgão-alvo. Os exames iniciais incluem a pesquisa de proteinúria (através da relação proteína/creatinina urinária em amostra isolada ou proteinúria de 24 horas), hemograma completo para avaliar plaquetopenia, dosagem de creatinina sérica para avaliar função renal, e transaminases (TGO/TGP), bilirrubinas e LDH para avaliar função hepática e hemólise (critérios de síndrome HELLP). Além disso, a avaliação do bem-estar fetal com cardiotocografia e ultrassonografia com Doppler é essencial para guiar a conduta obstétrica.

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