UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2015
Primigesta de 25 semanas, com PA normal no primeiro trimestre, apresenta-se com PA= 150x100 mmHg, assintomática. Exames laboratoriais mostraram-se normais, com ausência de proteinúria. Realizou exame ultrassonográfico que mostrou feto com peso abaixo do percentil 10, ILA=60 e centralização hemodinâmica fetal. Dopplerfluxometria do duto venoso normal.Cite duas hipóteses diagnósticas:
Hipertensão gestacional + RCF + oligodramnia + centralização fetal = suspeita de insuficiência placentária.
A presença de hipertensão arterial após 20 semanas de gestação, sem proteinúria, configura hipertensão gestacional. Quando associada a achados ultrassonográficos de restrição de crescimento fetal, oligodramnia e centralização hemodinâmica, sugere fortemente uma insuficiência placentária subjacente, que é a causa da RCF e do sofrimento fetal crônico.
O caso clínico apresenta uma primigesta com 25 semanas de gestação que desenvolve hipertensão arterial (150x100 mmHg) após um primeiro trimestre normotenso, sem proteinúria. Este quadro é compatível com o diagnóstico de Hipertensão Gestacional. A ausência de proteinúria e outros sinais de disfunção orgânica materna diferencia-a da pré-eclâmpsia. Os achados ultrassonográficos são cruciais: feto com peso abaixo do percentil 10 (Restrição de Crescimento Fetal - RCF), Índice de Líquido Amniótico (ILA) de 60 mm (oligodramnia) e centralização hemodinâmica fetal. A centralização é um sinal de adaptação fetal à hipóxia crônica, indicando que o feto está priorizando o fluxo sanguíneo para órgãos vitais. A oligodramnia, por sua vez, pode ser consequência da RCF e da redução do fluxo sanguíneo renal fetal. A dopplerfluxometria do duto venoso normal, embora tranquilizadora, não exclui comprometimento, mas sugere que a condição ainda não atingiu um estágio de gravidade extrema. Diante desse cenário, as principais hipóteses diagnósticas são Hipertensão Gestacional e Restrição de Crescimento Fetal (RCF) devido à Insuficiência Placentária. A hipertensão pode ser a causa ou um fator contribuinte para a disfunção placentária, que por sua vez leva à RCF e aos sinais de sofrimento fetal crônico. O manejo envolve monitoramento rigoroso materno e fetal, com avaliação da vitalidade fetal e, se necessário, interrupção da gestação em tempo oportuno.
Hipertensão gestacional é definida como pressão arterial ≥ 140/90 mmHg que surge após 20 semanas de gestação em mulher previamente normotensa, sem proteinúria ou outros sinais de pré-eclâmpsia.
A centralização hemodinâmica fetal é um mecanismo de adaptação do feto à hipóxia crônica, onde há redistribuição do fluxo sanguíneo para órgãos vitais como cérebro, coração e adrenais, em detrimento de outros órgãos como rins e pulmões.
A hipertensão gestacional, especialmente quando associada a uma placentação inadequada, pode levar à insuficiência placentária, resultando em restrição de crescimento fetal devido à oferta reduzida de nutrientes e oxigênio ao feto.
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