UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2020
Primigesta, previamente normotensa, com idade gestacional de 32 semanas, assintomática, chega à emergência obstétrica encaminhada pela unidade básica de saúde, pois na quinta consulta de rotina em pré-natal de risco habitual foi aferida uma pressão arterial (PA) de 150/100 mmHg. Ao exame físico geral, PA 140/95 mmHg e edema discreto em membros inferiores. Sem outras alterações. No exame obstétrico, colo grosso, fechado, atividade uterina ausente, movimentos fetais normais, batimentos cardíacos fetais de 140 bpm, altura de fundo uterino de 30 cm. Nos exames complementares: proteinúria de 255mg/24hs, relação proteinúria/creatinúria de 0,2 e cardiotocografia normal. A Dopplervelocimetria demonstrou aumento de resistência nas artérias uterinas e resistência normal na artéria umbilical. Demais exames normais. Qual o diagnóstico?
PA ≥140/90 mmHg após 20 semanas de gestação SEM proteinúria significativa (<300mg/24h) = Hipertensão Gestacional.
A Hipertensão Gestacional é definida pela presença de hipertensão arterial (PA ≥140/90 mmHg) que surge após a 20ª semana de gestação, na ausência de proteinúria significativa ou outros sinais de disfunção orgânica. É crucial diferenciá-la da pré-eclâmpsia, que exige proteinúria ou sinais de gravidade.
Os distúrbios hipertensivos da gestação são uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. A classificação correta é fundamental para o manejo adequado e a prevenção de complicações. A Hipertensão Gestacional é uma das formas mais comuns, caracterizada pelo surgimento de hipertensão após a 20ª semana de gestação, sem proteinúria ou disfunção de órgãos-alvo. A fisiopatologia da Hipertensão Gestacional não é completamente compreendida, mas envolve disfunção endotelial e alterações na placentação. O diagnóstico é clínico, baseado na aferição da pressão arterial e na exclusão de proteinúria significativa. É crucial realizar exames complementares para afastar pré-eclâmpsia, como a dosagem de proteinúria de 24 horas ou a relação proteinúria/creatininúria. O edema, embora comum na gestação, não é um critério diagnóstico para pré-eclâmpsia ou hipertensão gestacional isoladamente. O manejo da Hipertensão Gestacional envolve monitoramento rigoroso da pressão arterial, avaliação fetal e acompanhamento para identificar a progressão para pré-eclâmpsia. O tratamento anti-hipertensivo pode ser iniciado se a PA atingir níveis mais elevados (≥150/100 mmHg). O prognóstico geralmente é bom, mas há risco de desenvolvimento de pré-eclâmpsia e hipertensão crônica futura. A maioria dos casos se resolve após o parto.
A Hipertensão Gestacional é diagnosticada quando a pressão arterial atinge ≥140/90 mmHg em duas ocasiões, com intervalo de 4 horas, após a 20ª semana de gestação, em uma mulher previamente normotensa, e na ausência de proteinúria significativa ou outros sinais de pré-eclâmpsia grave.
A principal diferença é a presença de proteinúria significativa (≥300mg/24h ou relação proteinúria/creatininúria ≥0.3) na pré-eclâmpsia. A Hipertensão Gestacional apresenta apenas a elevação da pressão arterial, sem proteinúria ou disfunção de órgãos-alvo.
A Hipertensão Gestacional pode evoluir para pré-eclâmpsia em até 25% dos casos, especialmente se a hipertensão surgir antes das 30 semanas. É fundamental o monitoramento rigoroso da paciente para identificar o surgimento de proteinúria ou outros sinais de gravidade.
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