Hipertensão na Gestação: Diagnóstico e Conduta Inicial

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Camila, 31 anos, primigesta com 33 semanas de gestação, comparece à consulta de rotina no pré-natal de baixo risco. Ela está assintomática, negando cefaleia, distúrbios visuais ou dor em hipocôndrio direito. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, com pressão arterial de 142 x 94 mmHg, confirmada após 20 minutos de repouso. A altura uterina é de 31 cm, compatível com a idade gestacional, e os batimentos cardíacos fetais estão em 144 bpm, com movimentação fetal ativa referida. O edema de membros inferiores é discreto (+/4+), restrito aos tornozelos. Ela traz exames laboratoriais realizados há duas semanas, que estavam rigorosamente normais. Diante desse achado pressórico, qual o provável diagnóstico e a conduta inicial mais adequada para a elucidação do caso?

Alternativas

  1. A) Hipertensão gestacional; iniciar alfametildopa 250 mg de 8/8 horas e orientar retorno em uma semana para controle.
  2. B) Hipertensão gestacional; solicitar relação proteína/creatinina em amostra isolada de urina, hemograma, transaminases e creatinina.
  3. C) Pré-eclâmpsia; internação imediata para monitorização pressórica rigorosa e administração de sulfato de magnésio.
  4. D) Hipertensão arterial crônica; solicitar fundo de olho e proteinúria de 24 horas para avaliar lesão de órgão-alvo prévia.

Pérola Clínica

PA ≥ 140/90 mmHg após 20 sem → Investigar proteinúria e disfunção orgânica (Pré-eclâmpsia).

Resumo-Chave

A detecção de hipertensão nova após a 20ª semana exige a exclusão imediata de pré-eclâmpsia através de exames laboratoriais, mesmo em pacientes assintomáticas.

Contexto Educacional

A hipertensão arterial é a complicação médica mais comum da gestação, afetando cerca de 5% a 10% das grávidas. O diagnóstico preciso é vital, pois a pré-eclâmpsia está associada a riscos significativos de morbimortalidade materna e perinatal, como descolamento prematuro de placenta e restrição de crescimento fetal. Diante de uma PA de 142x94 mmHg em uma gestante de 33 semanas, a conduta inicial não deve ser a prescrição imediata de anti-hipertensivos, mas sim a avaliação laboratorial completa. Isso inclui hemograma (para avaliar hemólise e plaquetopenia), creatinina (função renal), transaminases (função hepática) e a pesquisa de proteinúria. Somente após descartar pré-eclâmpsia e confirmar a estabilidade do quadro é que se define o seguimento ambulatorial ou hospitalar.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar hipertensão gestacional de pré-eclâmpsia?

A hipertensão gestacional é definida pelo surgimento de PA ≥ 140/90 mmHg após a 20ª semana de gestação em mulher previamente normotensa, sem proteinúria ou sinais de disfunção orgânica. Já a pré-eclâmpsia requer a presença de hipertensão associada a proteinúria significativa (≥ 300mg/24h ou relação P/C ≥ 0,3) ou, na ausência desta, evidência de disfunção de órgãos-alvo (trombocitopenia, insuficiência renal, disfunção hepática, edema pulmonar ou sintomas visuais/cerebrais).

Qual o papel da relação proteína/creatinina (P/C)?

A relação proteína/creatinina em amostra isolada de urina é um método rápido e confiável para triagem de proteinúria significativa na gestação. Um valor ≥ 0,3 mg/mg correlaciona-se bem com a proteinúria de 24 horas ≥ 300 mg, permitindo uma tomada de decisão mais ágil no pronto atendimento ou consultório. Se o resultado for limítrofe ou houver dúvida diagnóstica, a coleta de urina de 24 horas ainda é considerada o padrão-ouro, embora menos prática no cenário de urgência.

Quando iniciar tratamento medicamentoso para a pressão?

O tratamento anti-hipertensivo na gestação (geralmente com alfametildopa, nifedipino ou hidralazina) é indicado de forma absoluta quando a PA atinge níveis de crise hipertensiva (≥ 160/110 mmHg) para prevenir complicações maternas como AVC. Em níveis de hipertensão leve a moderada (140-159 / 90-109 mmHg), a decisão de iniciar medicação depende do protocolo institucional e da presença de comorbidades, visando manter a PA entre 130-150 / 80-100 mmHg.

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