HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2021
Paciente G2C1, 35 anos de idade, com 38 semanas de gestação, vem para consulta de pré-natal. Tem hipertensão arterial sistêmica crônica, usando metildopa 1,5 g/dia. Está assintomática e refere boa movimentação fetal. Ao exame: pressão arterial de 150/90 mmHg, altura uterina de 33 cm, batimentos cardiofetais de 140 bpm, ausência de dinâmica uterina, toque vaginal com colo grosso, posterior e fechado, edema em membros inferiores (+++/4). Frente a esse quadro, qual a melhor conduta?
Hipertensão crônica + PA elevada + edema na gestação → Rastrear pré-eclâmpsia sobreposta e avaliar bem-estar fetal.
Pacientes com hipertensão crônica na gravidez que apresentam piora da pressão arterial e edema significativo, mesmo assintomáticas, devem ser investigadas para pré-eclâmpsia sobreposta, incluindo avaliação de proteinúria e bem-estar fetal com dopplerfluxometria.
A hipertensão arterial crônica na gravidez é uma condição que exige monitoramento rigoroso devido ao risco aumentado de complicações maternas e fetais. Uma das complicações mais sérias é a pré-eclâmpsia sobreposta, que ocorre quando uma gestante com hipertensão crônica desenvolve pré-eclâmpsia após 20 semanas de gestação. Os sinais de alerta incluem piora da hipertensão, aparecimento de proteinúria, cefaleia, distúrbios visuais, dor epigástrica ou edema generalizado. No caso apresentado, a paciente com hipertensão crônica em uso de metildopa apresenta PA de 150/90 mmHg e edema significativo em membros inferiores, mesmo assintomática. Essa elevação da PA, embora não seja um critério isolado para pré-eclâmpsia sobreposta, é um sinal de alerta que exige investigação. A conduta mais adequada é rastrear a pré-eclâmpsia sobreposta, o que inclui a solicitação de proteinúria de 24 horas e avaliação do bem-estar fetal. A ultrassonografia obstétrica com dopplerfluxometria é fundamental para avaliar a vitalidade fetal, o crescimento e a função placentária, que podem estar comprometidos na pré-eclâmpsia. A identificação precoce da pré-eclâmpsia sobreposta permite um manejo adequado, que pode incluir intensificação do tratamento anti-hipertensivo, monitoramento mais frequente e, em alguns casos, a programação da interrupção da gestação para evitar desfechos adversos.
Pré-eclâmpsia sobreposta é diagnosticada em gestantes com hipertensão crônica que desenvolvem proteinúria nova ou piora da proteinúria preexistente, ou sinais e sintomas de pré-eclâmpsia grave após 20 semanas de gestação.
A dopplerfluxometria avalia o fluxo sanguíneo nas artérias uterinas e umbilicais, indicando a função placentária e o bem-estar fetal, sendo crucial para identificar restrição de crescimento ou sofrimento fetal associado à pré-eclâmpsia.
A interrupção da gestação é considerada em hipertensas crônicas com pré-eclâmpsia sobreposta grave, comprometimento fetal ou materno, geralmente após 34 semanas, ou em casos de descontrole pressórico refratário.
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