Hipertensão Crônica na Gestação: Manejo e Fármacos Seguros

Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente 37 anos, um parto cesariano prévio, idade gestacional de 10 semanas portadora de HAS e faz uso irregular de captopril 50 mg de 12/12h. Ao exame: PA: 140X100 mmHg, FC: 74 bpm, útero pouco aumentado de volume (compatível com idade gestacional); colo uterino longo, posterior e fechado. Considerando o quadro da paciente, assinale a conduta MAIS ADEQUADA nesse momento.

Alternativas

  1. A) Prescrever nifedipina para tratamento da crise hipertensiva em regime de internação, devido ao risco de acidente vascular cerebral.
  2. B) Suspender captopril, prescrever metildopa ou nifedipina, orientar a paciente a medir PA diariamente, e retornar em uma semana para reavaliação.
  3. C) Encaminhar a paciente para pronto atendimento em obstetrícia, para realizar propedêutica para síndrome HELLP, pois se trata de pré-eclâmpsia sobreposta a hipertensão crônica.
  4. D) Aumentar a dose de captopril e encaminhar paciente para pré-natal de alto risco.

Pérola Clínica

IECA (Captopril) é CONTRAINDICADO na gestação; substituir por metildopa ou nifedipina e monitorar PA.

Resumo-Chave

Pacientes com hipertensão crônica na gestação devem ter IECA/BRA suspensos devido à teratogenicidade. Metildopa e nifedipina são opções seguras de primeira linha. A PA de 140x100 mmHg em 10 semanas não configura crise hipertensiva nem síndrome HELLP.

Contexto Educacional

A hipertensão crônica na gestação é uma condição que exige manejo cuidadoso, pois está associada a um risco aumentado de complicações maternas e fetais, como pré-eclâmpsia sobreposta, restrição de crescimento intrauterino, parto prematuro e descolamento prematuro de placenta. Para o residente, é fundamental conhecer os fármacos seguros e os contraindicados durante a gravidez. A principal preocupação com o captopril (um IECA) e outros medicamentos da classe é sua teratogenicidade, especialmente após o primeiro trimestre, podendo causar disfunção renal fetal, oligodrâmnio e hipoplasia pulmonar. Portanto, a sua suspensão imediata e substituição por uma terapia segura é a conduta mais adequada ao identificar uma gestante em uso. As opções terapêuticas seguras e de primeira linha incluem a metildopa, que é bem estabelecida e tem um bom perfil de segurança, e os bloqueadores dos canais de cálcio, como a nifedipina de liberação lenta. O labetalol também é uma excelente opção. O manejo envolve não apenas a escolha do medicamento, mas também o monitoramento rigoroso da pressão arterial, a educação da paciente e o encaminhamento para um pré-natal de alto risco, visando otimizar os desfechos materno-fetais.

Perguntas Frequentes

Quais são os anti-hipertensivos contraindicados na gestação e por quê?

Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA), como o captopril, e Bloqueadores do Receptor de Angiotensina (BRA) são contraindicados na gestação devido ao seu potencial teratogênico, especialmente no segundo e terceiro trimestres, podendo causar malformações renais e oligodrâmnio.

Quais medicamentos são considerados seguros para o tratamento da hipertensão crônica na gestação?

Os anti-hipertensivos de primeira linha considerados seguros na gestação incluem a metildopa, nifedipina (liberação lenta) e labetalol. A escolha depende da experiência do médico e das características da paciente.

Qual a conduta inicial para uma gestante com hipertensão crônica em uso de captopril?

A conduta inicial é suspender imediatamente o captopril e substituí-lo por um anti-hipertensivo seguro para a gestação, como metildopa ou nifedipina, além de orientar o monitoramento domiciliar da pressão arterial e agendar reavaliação.

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