Hipertensão Crônica na Gestação: Manejo e Conduta

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Gestante de 39 anos, G4P3, 12 semanas de gestação, comparece à primeira consulta de pré-natal na atenção primária. A paciente é hipertensa crônica há 2 anos, faz uso de losartana e apresenta índice de massa corporal (IMC) de 35 kg/m², encontra-se assintomática. Considerando esse contexto, assinale a conduta inicial e a avaliação a ser realizada.

Alternativas

  1. A) Suspender losartana e iniciar metildopa e AAS; realizar pesquisa de lesão de órgãos-alvo.
  2. B) Manter losartana e iniciar AAS; solicitar exames para avaliar a função hepática.
  3. C) Suspender losartana; indicar avaliação cardiológica detalhada.
  4. D) Manter losartana; realizar pesquisa de hipertensão secundária.

Pérola Clínica

Gestante hipertensa: suspender Losartana (BRA) → iniciar Metildopa + AAS (prevenção pré-eclâmpsia). Avaliar lesão de órgãos-alvo.

Resumo-Chave

Losartana, um bloqueador do receptor de angiotensina (BRA), é contraindicada na gestação devido ao risco de teratogenicidade. Metildopa é um anti-hipertensivo de primeira linha seguro na gravidez. O AAS em baixa dose é indicado para gestantes com fatores de risco para pré-eclâmpsia, como hipertensão crônica e obesidade. A pesquisa de lesão de órgãos-alvo é fundamental para estratificar o risco.

Contexto Educacional

A gestação em pacientes com hipertensão crônica é considerada de alto risco e exige manejo cuidadoso desde a primeira consulta de pré-natal. A hipertensão crônica na gravidez aumenta significativamente o risco de complicações maternas e fetais, como pré-eclâmpsia, eclampsia, restrição de crescimento intrauterino, parto prematuro e descolamento prematuro de placenta. A avaliação inicial deve ser abrangente, visando estratificar o risco e planejar a conduta terapêutica. Um ponto crucial no manejo é a revisão da medicação anti-hipertensiva. Medicamentos como os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) e os bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA), como a losartana, são teratogênicos e absolutamente contraindicados na gestação. Devem ser suspensos imediatamente e substituídos por anti-hipertensivos seguros para a gravidez, sendo a metildopa a primeira escolha devido ao seu perfil de segurança e eficácia. Além disso, a paciente com hipertensão crônica e obesidade apresenta múltiplos fatores de risco para pré-eclâmpsia, justificando a introdução de AAS em baixa dose para prevenção. A avaliação de lesão de órgãos-alvo é essencial para determinar a gravidade da hipertensão e o prognóstico materno-fetal. Exames como creatinina sérica, eletrólitos, sumário de urina com pesquisa de proteinúria, eletrocardiograma e fundoscopia devem ser realizados. O acompanhamento multidisciplinar, envolvendo obstetra, cardiologista e nutricionista, é fundamental para otimizar o cuidado e garantir os melhores resultados para a mãe e o bebê.

Perguntas Frequentes

Quais são os riscos do uso de losartana (BRA) durante a gravidez?

A losartana, um bloqueador do receptor de angiotensina (BRA), é contraindicada na gravidez, especialmente no segundo e terceiro trimestres, devido ao risco de teratogenicidade. Pode causar malformações fetais, oligodrâmnio, insuficiência renal fetal e óbito neonatal.

Por que o AAS é indicado para gestantes com hipertensão crônica?

O AAS (ácido acetilsalicílico) em baixa dose é indicado para gestantes com fatores de risco para pré-eclâmpsia, como hipertensão crônica, obesidade e idade avançada. Ele atua na prevenção da pré-eclâmpsia ao melhorar a placentação e reduzir a agregação plaquetária, diminuindo o risco de complicações.

Quais são os principais anti-hipertensivos seguros para uso na gestação?

Os principais anti-hipertensivos considerados seguros para uso na gestação incluem a metildopa (primeira escolha), nifedipino (bloqueador de canal de cálcio de liberação prolongada) e hidralazina. Labetalol também pode ser utilizado, mas não está amplamente disponível no Brasil.

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