Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2020
Uma mulher com 40 anos de idade, Gesta 4 para 2 aborto 1, assintomática, na 16ª semana de gestação, é atendida no ambulatório de pré-natal de alto risco, encaminhada da Unidade Básica de Saúde (UBS), por ser portadora de hipertensão crônica e ter apresentado pressão arterial = 150 x 100 mmHg na última consulta na UBS. A gestante relata ter feito uso de captopril (75 mg/dia) desde seu último parto, há três anos, e ter suspendido o uso da medicação após descobrir que estava grávida. Aferida novamente a pressão arterial, obteve-se resultado de 160 x 105 mmHg. Nesse caso, a conduta terapêutica indicada é:
Hipertensão crônica na gestação → iniciar alfametildopa; IECA/BRA são contraindicados.
Em gestantes com hipertensão crônica, a alfametildopa é a medicação de primeira linha e segura. Captopril (IECA) e diuréticos como furosemida e hidroclorotiazida são contraindicados ou não recomendados rotineiramente devido a riscos fetais e maternos.
A hipertensão crônica na gestação é uma condição que exige manejo cuidadoso devido aos riscos maternos e fetais, incluindo pré-eclâmpsia sobreposta, restrição de crescimento intrauterino e parto prematuro. O objetivo do tratamento é controlar a pressão arterial para evitar complicações, sem comprometer a perfusão placentária ou causar efeitos adversos ao feto. A escolha do anti-hipertensivo é crucial. A alfametildopa é a medicação de primeira linha e mais estudada para o tratamento da hipertensão na gravidez, com um excelente perfil de segurança para o feto. Outras opções incluem o labetalol e a nifedipina. É fundamental evitar medicamentos teratogênicos ou que possam comprometer a gestação. Inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), como o captopril, e bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA) são formalmente contraindicados na gestação devido aos seus efeitos teratogênicos e riscos de insuficiência renal fetal e oligodrâmnio. Diuréticos, como furosemida e hidroclorotiazida, não são recomendados rotineiramente, pois podem reduzir o volume plasmático materno, já fisiologicamente expandido na gravidez, e comprometer a perfusão placentária. O médico residente deve estar apto a identificar e manejar adequadamente a hipertensão crônica na gestação, garantindo a segurança da mãe e do bebê.
A alfametildopa é considerada a medicação de primeira linha e mais segura para o tratamento da hipertensão crônica durante a gestação, devido ao seu perfil de segurança fetal e eficácia.
Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), como o captopril, são teratogênicos, podendo causar malformações fetais, oligodrâmnio e insuficiência renal neonatal, sendo formalmente contraindicados na gestação.
Outras opções seguras incluem o labetalol (betabloqueador), a nifedipina (bloqueador de canal de cálcio) e, em casos específicos, a hidralazina. Diuréticos não são recomendados rotineiramente.
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