FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2021
Gestante primigesta, obesa, hipertensa crônica de difícil controle, com idade gestacional de 17 semanas (datada por ecografia de 10 semanas), usando 750 mg/dia de metildopa. Dá entrada no pronto-socorro referindo dor em baixo ventre e cefaleia. Ao exame: PA 180 x 120 mmHg, BCF presente, colo impérvio. A melhor conduta é:
Gestante com hipertensão crônica e PA 180x120 mmHg (17 semanas) → otimizar anti-hipertensivos para controle rigoroso da PA.
A paciente apresenta uma crise hipertensiva (PA 180x120 mmHg) em uma gestação de 17 semanas, com hipertensão crônica de difícil controle. A conduta inicial é otimizar o tratamento anti-hipertensivo para reduzir a PA e prevenir complicações maternas e fetais. A sulfatação e a interrupção da gestação são condutas para pré-eclâmpsia grave ou eclâmpsia, que ainda não está confirmada e seria precoce para 17 semanas.
A hipertensão crônica na gestação é definida como hipertensão presente antes da gravidez ou diagnosticada antes de 20 semanas de gestação. É uma condição de alto risco, associada a complicações maternas (pré-eclâmpsia sobreposta, AVC, descolamento de placenta) e fetais (restrição de crescimento intrauterino, prematuridade, óbito fetal). O manejo visa otimizar o controle pressórico para minimizar esses riscos. A paciente apresenta hipertensão crônica de difícil controle, com uma crise hipertensiva (PA 180x120 mmHg) em 17 semanas de gestação. Neste cenário, a prioridade é a redução da pressão arterial para evitar danos a órgãos-alvo maternos. A metildopa, embora seja uma droga de primeira linha, pode não ser suficiente em casos de hipertensão grave. A otimização da medicação anti-hipertensiva, seja aumentando a dose da metildopa ou adicionando uma segunda droga compatível com a gestação (como nifedipino ou labetalol), é a conduta mais adequada. A sulfatação de magnésio é indicada para prevenção ou tratamento de eclâmpsia e pré-eclâmpsia grave, geralmente após 20 semanas de gestação e com sinais de gravidade ou iminência de convulsão. A interrupção da gestação é uma medida extrema, considerada em casos de pré-eclâmpsia grave refratária ao tratamento ou com risco materno iminente, e seria prematura com 17 semanas sem uma indicação clara e confirmada de pré-eclâmpsia grave. O acompanhamento ambulatorial é inadequado para uma crise hipertensiva. Portanto, o foco é o controle rigoroso da pressão arterial para estabilizar a mãe e prolongar a gestação com segurança.
O objetivo é manter a pressão arterial em níveis seguros (geralmente <140/90 mmHg) para prevenir complicações maternas como AVC, insuficiência cardíaca e descolamento de placenta, e complicações fetais como restrição de crescimento e prematuridade.
Os medicamentos de primeira linha incluem metildopa, nifedipino (liberação prolongada) e labetalol. Outras opções podem ser consideradas, mas inibidores da ECA e bloqueadores dos receptores de angiotensina são contraindicados.
A pré-eclâmpsia sobreposta é diagnosticada em gestantes com hipertensão crônica que desenvolvem proteinúria nova ou piora da proteinúria pré-existente após 20 semanas de gestação, ou que apresentam sinais e sintomas de gravidade (cefaleia, dor epigástrica, alterações laboratoriais).
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