USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020
Primigesta, 27 anos de idade, vem para iniciar pré-natal. É hipertensa crônica diagnosticada aos 22 anos de idade, fez uso de enalapril por 3 anos e, após mudança de hábitos de vida, suspendeu o tratamento medicamentoso. Tem diabetes tipo 2, usava metformina antes de engravidar que também suspendeu. Idade gestacional de 9 semanas, assintomática. Ao exame clínico inicial, apresenta pressão arterial de 166x102mmHg, confirmada em segunda ocasião. Nesse momento, qual é a conduta com relação à pressão arterial?
Hipertensão crônica na gestação com PA ≥ 150/100 mmHg → iniciar tratamento medicamentoso ambulatorial com fármacos seguros.
Gestantes com hipertensão crônica e níveis pressóricos ≥ 150/100 mmHg (ou ≥ 160/110 mmHg) devem iniciar tratamento medicamentoso ambulatorial para prevenir complicações maternas e fetais. É crucial evitar IECA/BRA na gestação e optar por anti-hipertensivos seguros como metildopa, nifedipino ou labetalol.
A hipertensão crônica na gestação é definida como hipertensão presente antes da gravidez ou diagnosticada antes de 20 semanas de gestação. Afeta cerca de 1-5% das gestações e é um fator de risco significativo para complicações maternas, como pré-eclâmpsia sobreposta, AVC, descolamento prematuro de placenta, e fetais, como restrição de crescimento intrauterino e prematuridade. O manejo adequado é crucial para otimizar os desfechos. O diagnóstico é confirmado por duas medidas de pressão arterial elevadas (≥ 140/90 mmHg) em ocasiões distintas. O tratamento medicamentoso é geralmente iniciado quando a pressão arterial atinge níveis de 150/100 mmHg ou 160/110 mmHg, dependendo das diretrizes e da presença de lesão de órgão-alvo. A escolha do anti-hipertensivo deve considerar a segurança fetal, sendo metildopa, nifedipino e labetalol as opções preferenciais. É fundamental orientar a paciente sobre a importância do acompanhamento pré-natal rigoroso, monitoramento da pressão arterial e adesão ao tratamento. A suspensão de medicamentos como enalapril e metformina antes da gestação é correta, mas a hipertensão crônica exige reavaliação e, muitas vezes, reinício da terapia com fármacos seguros para a gravidez. O sulfato de magnésio é reservado para prevenção e tratamento de convulsões na pré-eclâmpsia grave e eclâmpsia, não sendo a conduta inicial para hipertensão crônica não complicada.
O tratamento medicamentoso é indicado para gestantes com hipertensão crônica quando a pressão arterial atinge níveis ≥ 150/100 mmHg, ou ≥ 160/110 mmHg, para prevenir complicações maternas e fetais.
Os anti-hipertensivos de primeira linha seguros na gravidez incluem metildopa, nifedipino de liberação prolongada e labetalol. Inibidores da ECA e bloqueadores do receptor de angiotensina são contraindicados.
A internação para tratamento endovenoso é reservada para emergências hipertensivas, como crises hipertensivas agudas ou pré-eclâmpsia grave com iminência de eclâmpsia, não para o manejo ambulatorial da hipertensão crônica.
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