Anti-hipertensivos em Pacientes com Asma e Gota

INCA - Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Um homem de 45 anos queixa-se de episódios de vômitos paroxísticos e recorrentes há 6 meses, sem outras manifestações associadas. É portador de hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus tipo 2, retinopatia diabética, gota e asma brônquica. Faz uso contínuo há 2 anos de enalapril, metformina e beclometasona inalatória. Ao exame físico, apresenta PA: 170X95mmHg, FC: 58bpm, FR: 15ipm, SpO₂: 98%. A ausculta respiratória revela raros sibilos expiratórios difusamente. Sem outras anormalidades ao exame físico. Exames de laboratório: creat: 1,4mg/dL (clearance de creatinina 52mL/kg/1,73m²); ur: 42mg/dL; Na: 131mEq/L; ácido úrico: 8,9mg/dL; GJ: 134mg/dL; HgA1c: 8,2%. Assinale a alternativa que apresenta o anti-hipertensivo MAIS ADEQUADO a ser acrescentado à prescrição desse paciente.

Alternativas

  1. A) Anlodipino.
  2. B) Furosemida.
  3. C) Hidroclorotiazida.
  4. D) Propranolol.

Pérola Clínica

Na asma e gota, evite Beta-bloqueadores e Tiazídicos; o Anlodipino é a escolha segura e eficaz.

Resumo-Chave

A escolha do anti-hipertensivo deve ser personalizada: o anlodipino é neutro metabolicamente, não agrava a asma (broncoespasmo) nem a gota (hiperuricemia), sendo ideal para este paciente polimórbido.

Contexto Educacional

O manejo da hipertensão arterial em pacientes com múltiplas comorbidades exige conhecimento profundo da farmacodinâmica. Pacientes com asma brônquica apresentam hiper-responsividade das vias aéreas, o que torna o uso de beta-bloqueadores não seletivos perigoso. Simultaneamente, a gota é uma doença inflamatória metabólica onde fármacos que alteram a homeostase do ácido úrico, como diuréticos, devem ser evitados. O anlodipino destaca-se como uma opção de segunda ou terceira linha segura, especialmente quando o paciente já está em uso de terapia de bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona. Sua eficácia na redução de eventos cardiovasculares e perfil de segurança metabólica o tornam a escolha mais adequada para este paciente com HAS, DM2, gota e asma.

Perguntas Frequentes

Por que o Anlodipino é preferível neste caso?

O anlodipino é um bloqueador dos canais de cálcio di-hidropiridínico que não interfere na resistência das vias aéreas (seguro na asma) e não altera os níveis de ácido úrico (seguro na gota). Além disso, é um potente vasodilatador, eficaz no controle da pressão arterial sistólica em pacientes diabéticos.

Quais os riscos dos Tiazídicos e Beta-bloqueadores aqui?

Os diuréticos tiazídicos (hidroclorotiazida) competem com o ácido úrico pela secreção tubular, podendo desencadear crises de gota. Já os beta-bloqueadores (propranolol), mesmo os cardiosseletivos em doses altas, podem induzir broncoespasmo em pacientes asmáticos, sendo contraindicados neste cenário.

Como o Diabetes influencia a escolha do anti-hipertensivo?

Pacientes diabéticos com albuminúria ou nefropatia devem usar preferencialmente IECA (como o enalapril que o paciente já usa) ou BRA. Quando uma segunda ou terceira droga é necessária, os bloqueadores dos canais de cálcio são excelentes opções por serem metabolicamente neutros.

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