UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2020
Homem, 55 anos, procura atendimento na unidade básica de saúde para acompanhamento de sua pressão arterial. Relata ter sido diagnosticado há cerca de 8 anos, mas vem em tratamento irregular. Diz ter dificuldades de se lembrar dos horários das medicações e vem sofrendo com episódios de disfunção erétil que atribui ao uso de mesmas. Traz eletrocardiograma de repouso realizado há cerca de 3 meses mostrando índice de Sokolow-Lyon de 37mm. Ao exame física apresenta ictus cordis desviado para a linha axilar anterior, palpável por 3 polpas digitais, com bulhas cardíacas rítmicas, em 2 tempos, normofonéticas, sem sopros ou extrassístoles. Os pulsos periféricos são simétricos. Considerando-se esta situação analise as assertivas a seguir: I - É classificado com alto risco cardiovascular, e por isso estando indicado o tratamento com 2 fármacos de classes distintas. II - Já existe lesão de órgão-alvo e o alvo a ser alcançado é a PA < 140/90mmHg. III - Deve-se tentar inicialmente medicas de modificações de estilo de vida por pelo menos 3 meses antes do início do tratamento medicamentoso. São verdadeiras:
HAS com LOA (HVE) → Alto risco cardiovascular, iniciar terapia combinada, meta PA < 140/90 mmHg (conforme gabarito).
Pacientes com hipertensão arterial de longa data e evidência de lesão de órgão-alvo, como a hipertrofia ventricular esquerda (HVE) demonstrada pelo índice de Sokolow-Lyon elevado e ictus desviado, são classificados como de alto risco cardiovascular. Nesses casos, a terapia medicamentosa combinada com dois fármacos de classes distintas é a abordagem inicial recomendada, e o tratamento deve ser otimizado sem atraso por modificações de estilo de vida isoladas.
A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma condição crônica que, se não controlada, pode levar a diversas lesões de órgão-alvo (LOA) e aumentar significativamente o risco cardiovascular. A avaliação do risco cardiovascular é fundamental para guiar a intensidade do tratamento. Pacientes com HAS de longa data, tratamento irregular e evidência de LOA, como a hipertrofia ventricular esquerda (HVE) detectada por eletrocardiograma (índice de Sokolow-Lyon > 35mm) e exame físico (ictus desviado), são classificados como de alto risco. Para pacientes de alto risco, a abordagem terapêutica deve ser mais agressiva. As modificações de estilo de vida são sempre importantes e devem ser incentivadas, mas não devem atrasar o início ou a intensificação do tratamento medicamentoso. Nesses casos, a terapia combinada com dois fármacos de classes distintas é frequentemente a estratégia inicial recomendada para um controle pressórico mais rápido e eficaz. As metas pressóricas devem ser individualizadas. Embora para a população geral sem comorbidades o alvo seja <140/90 mmHg, para pacientes de alto risco ou com LOA, as diretrizes atuais (como as da Sociedade Brasileira de Cardiologia) recomendam metas mais rigorosas, geralmente <130/80 mmHg. A disfunção erétil é uma queixa comum em pacientes hipertensos e pode ser uma complicação da própria doença ou um efeito colateral de alguns anti-hipertensivos, exigindo manejo cuidadoso.
Um paciente hipertenso é classificado como de alto risco cardiovascular na presença de lesão de órgão-alvo (como hipertrofia ventricular esquerda), doença cardiovascular estabelecida, doença renal crônica ou diabetes mellitus.
A hipertrofia ventricular esquerda é um marcador de lesão de órgão-alvo que indica um aumento significativo no risco de eventos cardiovasculares, como infarto do miocárdio, AVC e insuficiência cardíaca, exigindo tratamento mais intensivo.
A terapia combinada é indicada no tratamento da hipertensão arterial para pacientes de alto risco cardiovascular, aqueles com lesão de órgão-alvo, ou quando a monoterapia não atinge as metas pressóricas desejadas.
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