IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2024
Homem de 42 anos de idade, em acompanhamento na Unidade Básica de Saúde, apresenta duas medidas de PA 150x95mmHg em consultas diferentes, em ambos os braços, seguindo a técnica correta. Não tem história familiar de doença cardiovascular, tem índice de massa corporal (IMC) = 24,7kg/m². Fuma cerca de 1 maço de cigarros por dia desde os 17 anos.Qual das seguintes medicações é recomendada como tratamento inicial em monoterapia para este paciente?
HAS Estágio 1 + Risco CV (Tabagismo) → Iniciar monoterapia com IECA, BRA, BCC ou Tiazídicos.
O tratamento inicial da hipertensão estágio 1 em pacientes com risco cardiovascular aumentado deve priorizar classes que reduzem desfechos duros, como os bloqueadores de canais de cálcio (Anlodipino).
A hipertensão arterial estágio 1 é definida por níveis de pressão sistólica entre 140-159 mmHg e/ou diastólica entre 90-99 mmHg. No caso apresentado, o paciente possui 150x95 mmHg e é tabagista, o que eleva seu risco cardiovascular global, justificando o início imediato da terapia farmacológica associado a mudanças no estilo de vida. O Anlodipino, um bloqueador de canal de cálcio diidropiridínico, é uma excelente escolha de monoterapia devido à sua alta eficácia na redução da pressão arterial, longa meia-vida (garantindo controle por 24 horas) e robusta evidência na redução de desfechos como acidente vascular cerebral. Diuréticos de alça (furosemida) e antagonistas da aldosterona (espironolactona) são reservados para situações específicas como insuficiência renal/cardíaca ou hipertensão resistente, respectivamente.
As quatro classes de fármacos recomendadas como primeira linha para o tratamento da hipertensão arterial sistêmica são: Diuréticos tiazídicos (ex: hidroclorotiazida, clortalidona), Bloqueadores dos Canais de Cálcio (ex: anlodipino), Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina - IECA (ex: enalapril) e Bloqueadores dos Receptores de Angiotensina - BRA (ex: losartana). A escolha depende das características individuais do paciente.
A terapia combinada (dois fármacos em doses baixas) é preferível como passo inicial para pacientes com Hipertensão Estágio 2 (PA ≥ 160/100 mmHg) ou pacientes com Hipertensão Estágio 1 que apresentam alto risco cardiovascular ou lesão de órgão-alvo. Para pacientes de risco baixo ou moderado em Estágio 1, a monoterapia é uma opção inicial válida.
O Atenolol e outros betabloqueadores de primeira e segunda geração não são considerados drogas de primeira linha para hipertensão não complicada porque estudos demonstraram que eles são menos eficazes na redução de eventos cardiovasculares, especialmente AVC, e na redução da hipertrofia ventricular esquerda quando comparados a IECAs, BRAs e BCCs, além de possuírem efeitos metabólicos desfavoráveis.
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