HAS Estágio II: Manejo e Metas em Pacientes de Alto Risco

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

CRC, masculino, 50 anos, tabagista, diabético e dislipdêmico, em tratamento com Metformina 1,5g/dia e sinvastatina 20mg/dia. Procura atendimento médico por orientação do farmacêutico, com relato de pressão alta. Traz anotadas as medidas realizadas em farmácia do bairro: 160/90 mmHg. Nega queixas além da pressão alterada em consulta. Ao exame físico: obeso, PA: 160/100mmHg, FC: 85bpm, cardiovascular com ictus desviado e propulsivo, ausência de sopros, sem alterações ao exame respiratório e demais aparelhos. Refere ter realizado exames no posto de saúde há 4 meses com resultados seguintes:Laboratoriais:- Hba1c: 6,5%.- Glicemia de jejum: 190 mg/dL.- Colesterol total: 220 mg/dL.- Triglicerídeos: 190 mg/dL.- HDL: 32 mg/dL.Conforme o exposto, qual diagnóstico do paciente? Qual a melhor conduta nesse momento?

Alternativas

  1. A) hipertensão arterial sistêmica estágio I, iniciar terapia anti-hipertensiva em monoterapia com diurético tiazídico e manter sinvastatina devido a risco cardiovascular baixo e LDL dentro da meta.
  2. B) hipertensão arterial sistêmica estágio I, iniciar terapia anti-hipertensiva combinada com betabloqueador e diurético tiazídico, aumentar dose de sinvastatina devido a risco cardiovascular alto e meta de LDL menor que 70.
  3. C) hipertensão arterial sistêmica estágio II, iniciar terapia anti-hipertensiva em monoterapia com IECA ou BRA e aumentar dose de sinvastatina devido a risco cardiovascular moderado e meta de LDL menor que 100.
  4. D) hipertensão arterial sistêmica estágio II, iniciar terapia anti-hipertensiva combinada com IECA ou BRA associada a bloqueador de canal de cálcio ou diurético tiazídico. Aumentar sinvastatina devido a risco cardiovascular alto e meta de LDL menor que 70.
  5. E) hipertensão arterial sistêmica estágio II, iniciar terapia anti-hipertensiva combinada com bloqueador de canal de cálcio e diurético tiazídico, aumentar sinvastatina devido a risco cardiovascular alto e meta de LDL menor que 70.

Pérola Clínica

HAS Estágio II + DM + Dislipidemia + Dano Órgão-Alvo → Risco CV Alto, Terapia Combinada (IECA/BRA + BCC/Tiazídico) e LDL < 70 mg/dL.

Resumo-Chave

O paciente apresenta HAS estágio II (PA 160/100 mmHg) com múltiplos fatores de risco (DM, dislipidemia, tabagismo, obesidade) e evidências de dano em órgão-alvo (ictus desviado e propulsivo), classificando-o como de alto risco cardiovascular. Nesses casos, a terapia anti-hipertensiva combinada é a conduta inicial, e a meta de LDL-C é rigorosa (< 70 mg/dL), exigindo ajuste da estatina.

Contexto Educacional

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição crônica que afeta milhões de pessoas globalmente, sendo um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. A classificação da HAS em estágios (I, II, III) baseia-se nos níveis pressóricos, e a estratificação de risco cardiovascular considera a presença de fatores de risco adicionais (diabetes, dislipidemia, tabagismo, obesidade) e danos em órgãos-alvo (hipertrofia ventricular esquerda, doença renal crônica, etc.). Pacientes com HAS estágio II e múltiplos fatores de risco, como o caso apresentado, são considerados de alto ou muito alto risco cardiovascular. O manejo da HAS em pacientes de alto risco exige uma abordagem agressiva e multifacetada. A terapia anti-hipertensiva combinada é a estratégia inicial preferencial para HAS estágio II, visando um controle pressórico mais rápido e eficaz. As classes de medicamentos mais indicadas incluem inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), associados a bloqueadores de canal de cálcio (BCC) ou diuréticos tiazídicos. A escolha depende das comorbidades e tolerância do paciente. Além do controle da pressão arterial, é fundamental o manejo rigoroso das comorbidades. No caso de dislipidemia, a meta de LDL-colesterol para pacientes de alto risco é < 70 mg/dL, o que frequentemente exige o aumento da dose de estatinas ou a associação com outros hipolipemiantes. A modificação do estilo de vida, incluindo dieta, exercícios e cessação do tabagismo, é igualmente crucial. Residentes devem dominar a estratificação de risco e as diretrizes de tratamento para otimizar o cuidado desses pacientes complexos.

Perguntas Frequentes

Como é classificada a hipertensão arterial sistêmica estágio II?

A hipertensão arterial sistêmica estágio II é classificada quando a pressão arterial sistólica (PAS) é igual ou superior a 160 mmHg e/ou a pressão arterial diastólica (PAD) é igual ou superior a 100 mmHg. É uma condição que exige atenção e tratamento imediato.

Qual a conduta inicial para um paciente com HAS estágio II e alto risco cardiovascular?

Para pacientes com HAS estágio II e alto risco cardiovascular (como DM, dislipidemia e dano em órgão-alvo), a conduta inicial recomendada é a terapia anti-hipertensiva combinada, geralmente com dois fármacos de classes diferentes, como um IECA ou BRA associado a um bloqueador de canal de cálcio ou um diurético tiazídico.

Quais são as metas de LDL-colesterol para pacientes com alto risco cardiovascular?

Para pacientes com alto risco cardiovascular, como o descrito na questão (DM, HAS estágio II, dislipidemia, tabagismo e dano em órgão-alvo), a meta de LDL-colesterol é rigorosa, devendo ser inferior a 70 mg/dL. Em alguns casos de risco muito alto, a meta pode ser ainda mais baixa, inferior a 50 mg/dL.

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