Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2026
Idoso de 72 anos, hipertenso e tabagista, comparece ao posto para acompanhamento. Relata uso irregular de medicamentos. PA em três medidas distintas: 160x100 mmHg. Qual deve ser a estratégia prioritária de manejo?
HAS estágio 2 + baixa adesão → Reforçar vínculo + Otimizar terapia combinada na APS.
O manejo da hipertensão no idoso exige equilíbrio entre metas pressóricas e adesão. Em pacientes com controle inadequado (estágio 2), a associação de fármacos e o acompanhamento longitudinal na atenção básica são prioritários.
A hipertensão arterial sistêmica no idoso é um desafio clínico devido à rigidez arterial aumentada e à frequência de comorbidades. O tratamento visa não apenas a redução numérica da pressão, mas a prevenção de desfechos maiores como AVC e IAM. A atenção primária desempenha papel central através da Estratégia de Saúde da Família, garantindo o seguimento longitudinal. A escolha terapêutica deve considerar o perfil metabólico e o risco de interações medicamentosas. O tabagismo potencializa o risco cardiovascular, tornando a cessação tabágica uma intervenção não farmacológica obrigatória.
Para idosos hígidos (não frágeis), a meta pressórica recomendada pela Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial (2020) é geralmente inferior a 130/80 mmHg, desde que tolerada. No entanto, em pacientes com mais de 80 anos ou muito frágeis, a meta pode ser mais flexível, visando valores abaixo de 140/90 mmHg para evitar efeitos adversos como hipotensão ortostática e quedas. O julgamento clínico deve sempre considerar a funcionalidade e a expectativa de vida do paciente.
A abordagem da baixa adesão deve ser multifatorial, incluindo a simplificação do esquema posológico (preferência por combinações fixas), educação em saúde sobre a cronicidade da doença e o fortalecimento do vínculo médico-paciente. É essencial investigar barreiras financeiras, efeitos colaterais e crenças limitantes. O uso de ferramentas como o Teste de Morisky-Green pode auxiliar na identificação do perfil de adesão do paciente durante a consulta.
A terapia combinada é indicada como primeira linha para pacientes com HAS estágio 2 (PA ≥ 140/90 mmHg) ou estágio 3, ou naqueles com alto risco cardiovascular, mesmo em estágio 1. A associação de diferentes classes (ex: IECA/BRA + BCC ou Diurético) atua em diferentes vias fisiopatológicas, proporcionando maior eficácia no controle pressórico com menores doses individuais e, consequentemente, menos efeitos colaterais dose-dependentes.
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