HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2024
Homem de 53 anos de idade, em acompanhamento na Unidade Básica de Saúde, apresentou, em três consultas seguidas, valores de pressão arterial de 160x100mmHg. Tem 1,70m de altura e peso de 92kg. O paciente é sedentário, tem uma dieta rica em carboidratos, alimentos processados e rica em sódio. Ingere álcool cerca de 4 a 5 vezes por semana, cerca de 5 latinhas de cerveja ou 2 doses de cachaça. Dorme mal à noite, tem diversos roncos relatados pela esposa, além de acordar com a sensação de ter dormido menos do que deveria. Sua mãe e seu irmão mais velho têm antecedentes de HAS, ambos com diagnóstico por volta dos 45 anos de idade. Assinale a alternativa correta sobre a definição do diagnóstico de HAS e a respectiva conduta nesse paciente:
PA ≥ 140/90 mmHg em ≥ 2 consultas ou ≥ 180/110 mmHg em 1 consulta → Diagnóstico de HAS.
O diagnóstico de HAS é clínico e baseado em medidas repetidas. Valores de 160x100 mmHg (Estágio 2) em múltiplas consultas confirmam a patologia e indicam início imediato de terapia farmacológica.
A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma condição clínica multifatorial caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial. Segundo a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial (2020), o diagnóstico é fundamentalmente clínico. O paciente em questão apresenta obesidade (IMC ~31,8 kg/m²), sedentarismo, dieta inadequada, consumo excessivo de álcool e sinais sugestivos de Apneia Obstrutiva do Sono (roncos e sono não reparador), todos fatores que contribuem para a patogênese da HAS. O manejo inicial deve ser agressivo devido ao estadiamento (Estágio 2). Além das mudanças no estilo de vida (MEV), como redução de sódio, perda de peso e cessação do etilismo, a terapia farmacológica deve ser instituída prontamente. A escolha do anti-hipertensivo deve considerar as comorbidades, mas geralmente inicia-se com combinações de fármacos (ex: IECA/BRA + BCC ou Diurético) para atingir as metas pressóricas de forma mais eficaz.
O diagnóstico de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) no consultório é estabelecido quando o paciente apresenta níveis de pressão arterial (PA) sistólica ≥ 140 mmHg e/ou diastólica ≥ 90 mmHg em pelo menos duas ocasiões diferentes. Caso a PA seja ≥ 180/110 mmHg na primeira consulta, o diagnóstico já pode ser firmado. No caso clínico apresentado, o paciente teve três medidas de 160x100 mmHg, o que preenche os critérios para HAS Estágio 2, dispensando a necessidade de exames confirmatórios como MAPA ou MRPA para o diagnóstico inicial.
O tratamento farmacológico imediato deve ser iniciado em pacientes com diagnóstico de HAS Estágio 2 (PA ≥ 160/100 mmHg) ou Estágio 3 (PA ≥ 180/110 mmHg), independentemente do risco cardiovascular. Para pacientes no Estágio 1 (PA 140-159/90-99 mmHg), o tratamento medicamentoso é indicado se houver risco cardiovascular alto ou se as mudanças no estilo de vida não reduzirem a PA após 3 a 6 meses. O paciente do caso, por estar no Estágio 2 e possuir múltiplos fatores de risco, tem indicação clara de início de fármacos.
A Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) e a Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA) são ferramentas fundamentais para identificar a Hipertensão do Avental Branco (PA elevada apenas no consultório) e a Hipertensão Mascarada (PA normal no consultório, mas elevada fora dele). Elas são indicadas quando há dúvida diagnóstica ou discrepância entre as medidas. No entanto, se as medidas de consultório forem consistentemente elevadas em múltiplas consultas, como no caso do paciente, o diagnóstico de HAS é confirmado sem a obrigatoriedade desses exames.
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