SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2021
Mulher, 60 anos de idade, é acompanhada na Unidade de Saúde da Família (USF) por diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica. Na primeira visita à USF, há cerca de 6 meses, a PA estava em 182x100mmHg. Atualmente, assintomática. Nega outras comorbidades. Em uso regular de metformina 850mg duas vezes ao dia, losartana 50mg de 12/12h e anlodipina 10mg ao dia, há cerca de 6 meses. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, com FC: 70bpm, PA: 166x96mmHg em ambos os membros superiores e glicemia capilar de 110mg/dL. Pulsos palpáveis e simétricos. Exame segmentar sem alterações. Traz monitorização residencial da pressão arterial, com PAS entre 140 e 172mmHg e PAD entre 90 e 96mmHg.Indique a classificação para a pressão dessa paciente na primeira visita à Unidade de Saúde da Família. (
PA ≥ 180 ou ≥ 110 mmHg → Hipertensão Estágio 3.
A classificação da hipertensão baseia-se nos níveis pressóricos mais elevados (sistólicos ou diastólicos) medidos em consultório.
A classificação da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é fundamental para a estratificação de risco cardiovascular e definição da estratégia terapêutica. A paciente do caso apresenta HAS Estágio 3 associada ao Diabetes Mellitus, o que a coloca em uma categoria de risco cardiovascular muito alto. Mesmo em uso de três classes de anti-hipertensivos (BRA, BCC e Biguanida para DM), ela mantém níveis pressóricos elevados (166x96 mmHg), sugerindo a necessidade de ajuste terapêutico ou investigação de hipertensão resistente. A monitorização residencial (MRPA) confirma que a pressão permanece fora das metas recomendadas (< 130/80 mmHg para diabéticos de alto risco).
De acordo com as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, a Hipertensão Estágio 3 é definida quando a Pressão Arterial Sistólica (PAS) é maior ou igual a 180 mmHg e/ou a Pressão Arterial Diastólica (PAD) é maior ou igual a 110 mmHg. No caso da paciente, a PA inicial de 182x100 mmHg já a enquadra no estágio 3 devido ao valor da sistólica, independentemente da diastólica estar abaixo de 110.
Sempre que as pressões sistólica e diastólica situam-se em categorias diferentes, a maior deve ser utilizada para a classificação da pressão arterial. Por exemplo, se um paciente apresenta 165x115 mmHg, ele é classificado como Estágio 3 (devido à diastólica ≥ 110), mesmo que a sistólica (165) corresponda ao Estágio 2.
Pacientes no Estágio 3 apresentam o maior risco cardiovascular imediato e maior probabilidade de lesões de órgãos-alvo (LOA), como hipertrofia ventricular esquerda, nefropatia e retinopatia. O tratamento farmacológico deve ser iniciado imediatamente, geralmente com combinação de dois ou mais fármacos, visando atingir as metas terapêuticas de forma segura para prevenir eventos agudos como AVC e Infarto.
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