Manejo da Hipertensão Arterial na Atenção Primária

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026

Enunciado

Um paciente de 52 anos de idade, pedreiro, compareceu à Unidade Básica de Saúde para reavaliação de hipertensão. Relatou boa adesão medicamentosa e ausência de sintomas. A PA média das últimas três consultas foi 128x82 mmHg. Informou ter histórico familiar de doença cardiovascular. IMC = 29 kg/m². Exames recentes mostraram glicemia de jejum = 94 mg/dL e função renal normal. Qual é a conduta mais apropriada nesse momento, segundo os princípios da atenção primária?

Alternativas

  1. A) Aumentar a dose do anti-hipertensivo para reduzir ainda mais a PA.
  2. B) Iniciar estatina independentemente do perfil lipídico, em razão do risco familiar.
  3. C) Solicitar teste ergométrico de rotina para rastreio, cardiovascular.
  4. D) Manter o esquema atual, reforçando orientações de estilo de vida e programando o retorno.

Pérola Clínica

PA controlada (<130/80) + paciente assintomático → Manter conduta e reforçar estilo de vida.

Resumo-Chave

Na Atenção Primária, o controle da hipertensão deve focar na manutenção de metas terapêuticas atingidas e na promoção de saúde, evitando exames de rastreio desnecessários em pacientes de baixo risco.

Contexto Educacional

O manejo da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) na Atenção Primária à Saúde (APS) é um pilar da medicina preventiva. O sucesso terapêutico é definido pela adesão do paciente e pelo alcance das metas estabelecidas pelas diretrizes nacionais e internacionais. A continuidade do cuidado permite que o médico monitore a eficácia da medicação e a evolução de possíveis lesões de órgão-alvo. A decisão de manter o esquema atual em um paciente controlado reflete o princípio da prudência clínica. Alterações na medicação ou solicitações de exames complexos sem indicação clínica clara violam os princípios da eficiência do sistema de saúde e da segurança do paciente. O foco deve permanecer na educação em saúde e no fortalecimento do vínculo médico-paciente.

Perguntas Frequentes

Qual a meta pressórica para um paciente de 52 anos com HAS?

De acordo com as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial (2020), a meta para pacientes com risco cardiovascular baixo ou moderado é manter a pressão arterial abaixo de 140/90 mmHg, preferencialmente buscando valores próximos a 130/80 mmHg se tolerado. No caso do paciente de 52 anos com PA de 128/82 mmHg, ele já se encontra dentro do alvo terapêutico ideal. Manter o controle rigoroso é fundamental para reduzir o risco de eventos macrovasculares (AVC, IAM) e microvasculares (nefropatia hipertensiva), sem a necessidade de intensificação medicamentosa que possa gerar efeitos colaterais.

Quando solicitar teste ergométrico em pacientes hipertensos?

O teste ergométrico não deve ser solicitado de rotina para rastreamento de doença arterial coronariana em pacientes assintomáticos, mesmo hipertensos, a menos que haja uma estratificação de risco que justifique ou o paciente pretenda iniciar atividades físicas de alta intensidade. Na Atenção Primária, a prática da prevenção quaternária desencoraja o uso excessivo de exames diagnósticos que podem levar a resultados falso-positivos, procedimentos invasivos desnecessários e ansiedade ao paciente, sem evidência de melhora em desfechos clínicos de mortalidade.

Como abordar o excesso de peso (IMC 29) na consulta de HAS?

O sobrepeso (IMC entre 25 e 29,9 kg/m²) é um fator de risco modificável crucial para o controle da hipertensão. A conduta deve focar em intervenções não farmacológicas, como a dieta DASH (rica em frutas, vegetais e laticínios com baixo teor de gordura) e a redução da ingestão de sódio. Além disso, a prática regular de atividade física aeróbica (pelo menos 150 minutos por semana) auxilia não apenas na redução pressórica, mas também na melhora do perfil metabólico e redução do risco de progressão para obesidade e diabetes tipo 2.

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