FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026
Um homem de 53 anos de idade era acometido por asma desde a infância e relata hipertensão há 10 anos. Na última prescrição, constavam os medicamentos anti-hipertensivos de uso contínuo: hidroclorotiazida 25 mg uma vez por dia; losartana 50 mg duas vezes por dia; e anlodipina 2,5 mg uma vez por dia. A pressão arterial aferida por automonitoramento nos últimos três meses apresentava diversos valores acima de 140×90 mmHg, e, durante a consulta, a pressão arterial aferida foi de 155x95 mmHg. O médico orientou e repactuou a intensificação na mudança do estilo de vida e certificou-se de que as medicações prescritas têm sido utilizadas adequadamente. Com base nesse caso clínico hipotético e em relação ao ajuste medicamentoso, a assinale a opção que apresenta a conduta adequada para o manejo da hipertensão.
Paciente asmático com HAS não controlada → Otimizar doses atuais (ex: Anlodipina) e evitar Beta-bloqueadores.
Antes de adicionar a 4ª droga, deve-se otimizar as doses das medicações atuais (HCTZ, Losartana, Anlodipina) para as doses máximas recomendadas ou toleradas.
O manejo da hipertensão arterial exige uma abordagem escalonada. A tríade clássica (BRA/IECA + BCC + Tiazídico) é a base do tratamento para a maioria dos pacientes. A otimização posológica é um passo crucial antes da polifarmácia complexa. Além disso, a presença de comorbidades como a asma restringe o uso de certas classes, como os beta-bloqueadores, reforçando a importância da individualização terapêutica baseada em perfis de segurança e eficácia.
O atenolol é um beta-bloqueador que, embora seja seletivo beta-1 em doses baixas, pode perder a seletividade em doses maiores e bloquear receptores beta-2 nos pulmões. Isso pode causar bronconstrição e exacerbação da asma. Em pacientes asmáticos, os beta-bloqueadores devem ser evitados sempre que houver alternativas eficazes para o controle da pressão arterial ou de outras condições cardiovasculares.
A dose usual da anlodipina varia de 2,5 mg a 10 mg uma vez ao dia. No caso clínico, o paciente estava usando apenas 2,5 mg, uma dose sub-otimizada. Antes de considerar o paciente como portador de hipertensão resistente ou adicionar uma quarta classe de fármacos (como a espironolactona), é mandatório progredir as doses das medicações de primeira linha (IECA/BRA, BCC e Tiazídicos) até o limite terapêutico.
A hipertensão resistente é definida quando a pressão arterial permanece acima das metas, apesar do uso de três classes de anti-hipertensivos em doses otimizadas, preferencialmente incluindo um diurético, um bloqueador dos canais de cálcio e um inibidor do sistema renina-angiotensina. No caso apresentado, como as doses não estavam otimizadas (anlodipina 2,5mg), o diagnóstico de resistência ainda não pode ser firmado.
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