Manejo da Hipertensão na Síndrome Metabólica e Gota

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024

Enunciado

Você está trabalhando em uma unidade básica de saúde e atende o sr. Jose, de 58 anos, com histórico de Hipertensão, Diabetes e Gota. Ele refere que há anos não faz consulta médica, porém resolveu procurar a unidade por pressão de sua esposa, uma vez que se sente mais cansado. No momento faz uso de Atenolol 50 mg ao dia e Enalapril 10 mg a cada 12 horas para tratamento da hipertensão, além de 500mg ao dia de Metformina para o diabetes. Seus hábitos alimentares são irregulares, porém ingere grande quantidade de carboidratos, especialmente pão e massa, também possui o hábito de beber 2 a 3 latas de cerveja diariamente. Relata ainda que está tentando fazer mais exercício físico, com uma caminhada de 30 minutos aos sábados. Fuma desde os 20 anos de idade, em média 1 maço de cigarro ao dia, porém manifesta desejo de parar o consumo. Na revisão de sistemas refere disfunção erétil e crises de gota. Ao exame físico apresenta uma pressão arterial de 144x96 mmHg, Frequência Cardíaca de 54bpm, circunferência abdominal de 122cm, altura de 1,72m e peso de 102kg, sem outras alterações.Você solicita exames laboratoriais que revelam:Triglicerídeos: 300mg/dLHDL: 35 mg/dLLDL: 120 mg/dLColesterol total: 215mg/dLGlicose de Jejum: 154 mg/dLHemoglobina Glicada: 7,8%Qual das medidas abaixo seria mais adequada para o controle pressórico do paciente?

Alternativas

  1. A) Suspender Atenolol e associar Hidroclorotiazida ao tratamento com Enalapril.
  2. B) Suspender Atenolol e associar Anlodipino ao tratamento com Enalapril.
  3. C) Associar Anlodipino ao esquema com Atenolol e Enalapril
  4. D) Suspender o Atenolol e manter o Enalapril na dose atual
  5. E) Associar Hidroclorotirazida ao esquema com Atenolol e Enalapril

Pérola Clínica

Betabloqueadores (Atenolol) → ↑ Glicemia, ↑ Triglicerídeos, Disfunção Erétil e Bradicardia.

Resumo-Chave

Em pacientes com síndrome metabólica e gota, deve-se evitar betabloqueadores e diuréticos tiazídicos devido aos efeitos metabólicos adversos e risco de hiperuricemia.

Contexto Educacional

O tratamento da hipertensão arterial em pacientes com múltiplas comorbidades metabólicas exige uma escolha criteriosa dos fármacos. O Atenolol, um betabloqueador cardiosseletivo, está associado a efeitos metabólicos negativos, como aumento da resistência insulínica e dislipidemia, além de efeitos colaterais como bradicardia sinusal e disfunção erétil, que impactam diretamente a qualidade de vida e a adesão ao tratamento. Em pacientes com obesidade central, diabetes tipo 2 e gota, as diretrizes brasileiras e internacionais recomendam preferencialmente Inibidores da ECA ou Bloqueadores dos Receptores de Angiotensina (BRA), frequentemente associados a Bloqueadores dos Canais de Cálcio (BCC). A substituição do betabloqueador por um BCC como o anlodipino melhora o perfil hemodinâmico sem comprometer o metabolismo da glicose ou do ácido úrico.

Perguntas Frequentes

Por que evitar Atenolol no paciente diabético?

Betabloqueadores de primeira e segunda geração, como o atenolol, podem reduzir a sensibilidade à insulina e mascarar os sintomas de hipoglicemia (exceto sudorese). Além disso, estão associados ao aumento dos níveis de triglicerídeos e da glicemia de jejum, o que dificulta o controle metabólico em pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2 e síndrome metabólica.

Qual o impacto dos anti-hipertensivos na gota?

Os diuréticos tiazídicos e de alça são os principais vilões, pois competem com o ácido úrico no túbulo renal, elevando a uricemia e precipitando crises de gota. Por outro lado, o Losartana (um BRA) possui um efeito uricosúrico único, sendo benéfico. O anlodipino é metabolicamente neutro, sendo uma excelente opção para esses pacientes.

Por que o Anlodipino é preferível neste caso clínico?

O paciente apresenta bradicardia (FC 54), disfunção erétil e síndrome metabólica. O anlodipino, um bloqueador dos canais de cálcio di-hidropiridínico, não interfere na frequência cardíaca, não piora a função erétil e é metabolicamente neutro para glicose e lipídios, ao contrário do atenolol que exacerba todos esses problemas.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo