Hipertensão Não Controlada: Próximo Passo no Tratamento

Claretiano - Centro Universitário de Rio Claro (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 52 anos de idade é avaliada durante uma consulta de acompanhamento para hipertensão. Enalapril (40 mg/dia) e hidroclorotiazida (25 mg/dia) foram iniciadas há 1 mês, com boa aderência ao tratamento. Não há outros problemas médicos. Eletrocardiograma, exame de urina e resultados de um perfil metabólico abrangente são normais. Ao exame físico: pressão arterial (em 3 medidas diferentes): 148 x 88 mmHg; frequência cardíaca: 70 bpm; o restante do exame não é digno de nota. Creatinina sérica de 0,8 mg/dL e potássio de 3,6 mEq/L; demais exames séricos são normais. O próximo passo correto é

Alternativas

  1. A) manter o tratamento atual, observação e retorno em 1 ano.
  2. B) associar anlodipino.
  3. C) trocar a hidroclorotiazida por clortalidona.
  4. D) associar hidralazina.
  5. E) trocar o enalapril por losartana.

Pérola Clínica

Hipertensão não controlada com 2 fármacos → adicionar 3º fármaco de classe diferente (ex: BCC).

Resumo-Chave

A paciente apresenta hipertensão não controlada (PA 148x88 mmHg) apesar do uso de dois anti-hipertensivos (IECA + diurético tiazídico) em doses máximas ou próximas. Nesses casos, a estratégia é adicionar um terceiro fármaco de uma classe diferente, sendo os bloqueadores dos canais de cálcio (como o anlodipino) a escolha mais comum e eficaz.

Contexto Educacional

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição crônica de alta prevalência e um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. O manejo adequado da HAS é crucial para prevenir complicações como AVC, infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca e doença renal crônica. O tratamento inicial geralmente envolve mudanças no estilo de vida e monoterapia, progredindo para terapia combinada se as metas pressóricas não forem atingidas. Quando a pressão arterial permanece elevada (hipertensão não controlada) apesar do uso de dois fármacos anti-hipertensivos em doses otimizadas, a próxima etapa é adicionar um terceiro medicamento. As diretrizes recomendam uma combinação de um inibidor da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueador do receptor de angiotensina (BRA), um diurético tiazídico e um bloqueador dos canais de cálcio (BCC). Essa combinação de três classes diferentes atua em múltiplos mecanismos fisiopatológicos da hipertensão, aumentando a probabilidade de controle pressórico. A escolha do anlodipino, um BCC diidropiridínico, é justificada por sua eficácia, boa tolerabilidade e por atuar de forma complementar aos IECA e diuréticos. É fundamental que o residente compreenda a lógica da terapia combinada e a progressão do tratamento da HAS, sempre buscando as metas pressóricas individualizadas para cada paciente, a fim de reduzir o risco cardiovascular global.

Perguntas Frequentes

Quando a hipertensão é considerada não controlada?

A hipertensão é considerada não controlada quando a pressão arterial permanece acima das metas recomendadas (geralmente <140/90 mmHg para a maioria dos pacientes, ou <130/80 mmHg para alto risco) apesar do uso de dois ou mais anti-hipertensivos em doses adequadas, incluindo um diurético.

Qual a estratégia para hipertensão não controlada com dois fármacos?

Quando a hipertensão não é controlada com uma combinação de dois fármacos (geralmente um IECA/BRA e um diurético tiazídico), a próxima estratégia é adicionar um terceiro fármaco de uma classe diferente. Os bloqueadores dos canais de cálcio diidropiridínicos, como o anlodipino, são frequentemente a escolha preferencial.

Por que o anlodipino é uma boa opção para adicionar?

O anlodipino, um bloqueador dos canais de cálcio diidropiridínico, é uma excelente opção para adicionar à terapia combinada de IECA/BRA + diurético tiazídico. Ele atua por um mecanismo diferente, promovendo vasodilatação e reduzindo a resistência vascular periférica, o que complementa os efeitos dos outros fármacos e geralmente é bem tolerado.

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