Manejo da Hipertensão Estágio 3 Não Controlada

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2021

Enunciado

Considere um paciente do sexo masculino, 52 anos de idade, tabagista, etilista, sedentário, IMC 35 kg/m², hipertensão arterial estágio 3, em uso de duas classes de anti-hipertensivos em baixas doses. Na consulta anterior, mantinha níveis pressóricos elevados e foi acrescentado um terceiro fármaco. Retorna com queixa de cefaleia e ainda sem controle dos níveis pressóricos. Nesse caso, além de orientação de atividade física e controle de peso, qual é a conduta mais adequada a ser adotada?

Alternativas

  1. A) Reduzir a dose dos anti-hipertensivos em uso atual.
  2. B) Tentar uma monoterapia com bloqueadores beta-adrenérgicos.
  3. C) Acrescentar outros fármacos, mantendo os anti-hipertensivos atuais.
  4. D) Retirar os anti-hipertensivos atuais e combinar dois anti-hipertensivos de classes diferentes e em baixa dose.

Pérola Clínica

HAS Estágio 3 não controlada com 3 drogas → Otimizar doses ou adicionar fármacos.

Resumo-Chave

Pacientes com HAS estágio 3 e alto risco cardiovascular frequentemente necessitam de terapia tripla ou quádrupla em doses otimizadas para atingir as metas terapêuticas.

Contexto Educacional

O tratamento da hipertensão arterial sistêmica (HAS) visa a redução da morbimortalidade cardiovascular. Segundo as diretrizes brasileiras e internacionais, o estágio 3 requer início imediato de terapia medicamentosa, geralmente com combinação de dois ou mais fármacos. A falha em atingir a meta pressórica (< 130/80 mmHg para a maioria) exige revisão da adesão, pesquisa de causas secundárias e intensificação do esquema. A cefaleia relatada pode ser sintoma da própria pressão elevada ou efeito colateral de medicamentos, devendo ser avaliada no contexto da otimização terapêutica.

Perguntas Frequentes

Como definir a conduta na HAS estágio 3 não controlada?

Em pacientes com hipertensão estágio 3 (PA ≥ 180/110 mmHg) que não atingem a meta com três fármacos, a conduta envolve a otimização das doses atuais para os níveis máximos tolerados ou a adição de uma quarta classe farmacológica. Frequentemente, o esquema inicial inclui um IECA ou BRA, um bloqueador de canal de cálcio (BCC) e um diurético tiazídico. Se a pressão persistir elevada, a espironolactona é geralmente a quarta droga de escolha, caracterizando o manejo da hipertensão resistente.

Qual a importância da mudança de estilo de vida neste paciente?

O paciente apresenta múltiplos fatores de risco: tabagismo, etilismo, sedentarismo e obesidade (IMC 35). A modificação do estilo de vida (MEV) é fundamental e sinérgica ao tratamento farmacológico. A perda de peso pode reduzir a PA sistólica em cerca de 5 mmHg para cada quilo perdido, enquanto a cessação do tabagismo e a redução do álcool diminuem drasticamente o risco cardiovascular global, que é muito alto em pacientes com HAS estágio 3.

Quando suspeitar de hipertensão secundária?

A suspeita de hipertensão secundária deve ocorrer em pacientes com HAS resistente (não controlada com 3 drogas em doses otimizadas, sendo uma delas diurético), início súbito de hipertensão, ou quando há sinais clínicos sugestivos (ex: hipocalemia espontânea sugerindo hiperaldosteronismo, sopros abdominais sugerindo estenose de artéria renal). No caso apresentado, a obesidade e o ronco também poderiam sugerir apneia obstrutiva do sono como causa contribuinte para o difícil controle pressórico.

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