SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025
Um paciente de 48 anos de idade, tabagista, etilista social, com histórico de hipertensão arterial não controlada, compareceu ao pronto atendimento com queixa de cefaleia occipital de início recente, especialmente ao acordar. Referiu que, há um mês, apresenta episódios de(epistaxe espontânea). Ao exame físico, apresentou PA 190 mmHg X 120 mmHg em ambos os braços, FC 84 bpm, FR- 16 irpm e SatO2-97%. O fundo de olho mostrou sinais de retinopatia hipertensiva grau III. De acordo com o caso clínico apresentado, qual é o próximo passo diagnóstico mais indicado?
HAS grave + Retinopatia grau III → Investigar lesão de órgão-alvo (Rim/Coração/Cérebro).
Pacientes com hipertensão estágio 3 e sinais de retinopatia avançada exigem triagem imediata para lesões em órgãos-alvo, sendo a avaliação renal prioritária.
O manejo da hipertensão arterial estágio 3 (PA ≥ 180/110 mmHg) requer uma busca ativa por lesões de órgão-alvo (LOA). A presença de retinopatia grau III é um marcador de prognóstico reservado e indica a necessidade de uma propedêutica armada que inclua avaliação da função renal, eletrocardiograma e, por vezes, ecocardiograma. O objetivo é estratificar o risco cardiovascular global e decidir a agressividade do tratamento farmacológico, além de excluir causas secundárias de hipertensão, como a doença renal parenquimatosa ou estenose de artéria renal.
A classificação de Keith-Wagener-Barker define o grau III pela presença de exsudatos algodonosos e/ou hemorragias retinianas, além das alterações vasculares (estreitamento arteriolar e cruzamentos patológicos) vistas nos graus I e II. A presença de grau III indica dano microvascular sistêmico grave e coloca o paciente em alto risco cardiovascular, sugerindo que outros órgãos, como os rins, também podem estar sofrendo lesões.
A hipertensão arterial é uma das principais causas de doença renal crônica. Em um paciente com níveis de 190/120 mmHg e lesão de órgão-alvo visível (olho), é imperativo avaliar a função renal (creatinina e taxa de filtração glomerular) e a presença de lesão parenquimatosa (análise de urina para proteinúria/hematúria e ultrassom). Isso ajuda a determinar se a hipertensão é a causa ou a consequência de uma doença renal subjacente.
Não necessariamente. Embora a epistaxe seja comum em pacientes com picos hipertensivos, ela nem sempre indica uma emergência hipertensiva por si só. No entanto, no contexto deste paciente (cefaleia, retinopatia grau III e PA muito elevada), a epistaxe é mais um sinal da gravidade do quadro clínico e da fragilidade vascular decorrente da pressão não controlada.
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