Diagnóstico de Hipertensão Arterial via MAPA 24h

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, 73a, comparece para consulta de rotina assintomático. Antecedentes pessoais: diabete melito. Nega tabagismo, hipertensão, dislipidemia ou outras comorbidades. Medicamentos em uso: metformina. Exame físico: IMC = 31 Kg/m², PA no consultório = 144/72 mmHg. Medida ambulatorial da pressão arterial há uma semana: PA nas 24h = 132/73 mmHg; PA na vigília = 133X74 mmHg; PA no sono = 131/71 mmHg. Com base nestes dados, assinale a alternativa correta quanto à hipertensão arterial:

Alternativas

  1. A) Paciente tem hipertensão do avental branco, não devendo ser iniciado o tratamento para hipertensão arterial.
  2. B) Paciente tem diagnóstico de hipertensão arterial confirmado, devendo ser iniciado o tratamento.
  3. C) É necessário confirmar o diagnóstico de hipertensão arterial com mais uma medida de PA em consultório.
  4. D) Deve-se solicitar medida residencial de pressão arterial (MRPA) para confirmação diagnóstica.

Pérola Clínica

MAPA 24h ≥ 130/80 mmHg ou Sono ≥ 120/70 mmHg confirma o diagnóstico de Hipertensão Arterial.

Resumo-Chave

O diagnóstico de HAS é confirmado por medidas de consultório ≥ 140/90 em duas ocasiões ou por exames ambulatoriais (MAPA/MRPA) com médias alteradas.

Contexto Educacional

O diagnóstico preciso da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é fundamental para iniciar o tratamento e prevenir complicações como AVC e IAM. A Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) é considerada o padrão-ouro para avaliação do risco cardiovascular, pois remove o efeito do avental branco e permite a análise do sono. Em pacientes com Diabetes Mellitus, o controle rigoroso da PA é essencial para a proteção renal e cardiovascular.

Perguntas Frequentes

Quais os valores de corte para diagnóstico na MAPA?

De acordo com as diretrizes brasileiras e internacionais, o diagnóstico de hipertensão arterial pela MAPA é estabelecido quando a média das pressões de 24 horas é ≥ 130/80 mmHg, a média do período de vigília é ≥ 135/85 mmHg ou a média do período de sono é ≥ 120/70 mmHg. No caso clínico apresentado, o paciente possui média de 24h de 132/73 mmHg e média de sono de 131/71 mmHg, ambas acima dos limites de normalidade, confirmando a patologia.

O que define o fenômeno 'não-dipper' e qual sua importância?

O fenômeno 'dipper' é a queda fisiológica da pressão arterial durante o sono, que deve ser entre 10% e 20% em relação à vigília. Quando essa queda é inferior a 10%, o paciente é classificado como 'não-dipper'. A ausência de descenso noturno ou a presença de hipertensão noturna isolada está fortemente associada a um maior risco cardiovascular e lesão de órgãos-alvo, sendo um dos principais benefícios da MAPA em relação às medidas de consultório.

Quando preferir a MAPA em vez da medida de consultório?

A MAPA é indicada em casos de suspeita de hipertensão do avental branco, hipertensão mascarada, grande variabilidade da PA no consultório, hipertensão resistente, avaliação de sintomas de hipotensão ou quando se deseja avaliar o perfil pressórico noturno. Em pacientes diabéticos ou com alto risco cardiovascular, como o do caso, a MAPA oferece uma predição mais acurada de eventos do que a medida isolada de consultório.

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