PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
Um paciente de 62 anos, portador de Diabetes Mellitus tipo 2 e histórico de angioplastia coronária há 6 anos procura atendimento médico para consulta de rotina. Atualmente está em uso de Metformina 1g a cada 12 horas, Dapagliflozina 10 mg ao dia, AAS 100mg. Refere que fazia uso prévio de Enalapril 10mg a cada 12 horas, porém suspendeu por apresentar tosse. Ao exame físico o paciente apresenta uma pressão arterial de 168x112 mmHg. Qual a conduta ideal para controle pressórico, segundo as diretrizes mais atualizadas (ESC Guidelines for Management of Elvated Blood Pressure and Hypertension, 2024)?
Tosse por IECA → trocar por BRA. HAS Estágio 2 (≥160/100) → Iniciar terapia dupla (BRA + BCC ou Diurético).
Segundo a diretriz ESC 2024, pacientes com hipertensão estágio 2 devem iniciar terapia combinada. A tosse é um efeito colateral clássico dos IECAs (bradicinina), exigindo a troca por BRAs.
O manejo da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) evoluiu para estratégias de intervenção mais precoces e agressivas. A diretriz ESC 2024 reforça que a maioria dos pacientes não atinge as metas com monoterapia, validando o uso de combinações fixas para melhorar a adesão. Em pacientes com histórico de doença coronariana e diabetes, a proteção de órgãos-alvo é prioritária. A distinção entre as classes de fármacos que atuam no sistema renina-angiotensina-aldosterona é um tema recorrente em provas. Enquanto os IECAs bloqueiam a conversão da Angiotensina I em II, os BRAs bloqueiam diretamente o receptor AT1. Essa diferença bioquímica explica por que os BRAs não causam o acúmulo de bradicinina, sendo a alternativa mandatória para pacientes que desenvolvem tosse ou angioedema com IECAs.
A tosse induzida pelos Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA) ocorre devido ao acúmulo de bradicinina e substância P nas vias aéreas superiores. Como a ECA é responsável pela degradação dessas substâncias, sua inibição leva a um aumento local que estimula receptores sensoriais, resultando em tosse seca e persistente em cerca de 5% a 20% dos pacientes. A conduta padrão é a substituição por Bloqueadores dos Receptores de Angiotensina II (BRA), que não interferem no metabolismo da bradicinina.
A diretriz da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) de 2024 enfatiza o início precoce do tratamento farmacológico para pacientes com pressão arterial elevada. Para a maioria dos pacientes, especialmente aqueles com hipertensão estágio 2 (PA ≥ 160/100 mmHg) ou alto risco cardiovascular, recomenda-se iniciar com terapia combinada dupla (preferencialmente em um único comprimido) envolvendo um bloqueador do sistema renina-angiotensina (IECA ou BRA) associado a um bloqueador de canal de cálcio ou diurético tiazídico.
Em pacientes com Diabetes Mellitus tipo 2, o controle rigoroso da pressão arterial é fundamental para prevenir complicações micro e macrovasculares. Os bloqueadores do sistema renina-angiotensina (IECA ou BRA) são preferenciais devido ao seu efeito nefroprotetor. No caso clínico apresentado, o paciente já utiliza Dapagliflozina (iSGLT2), que auxilia no controle volêmico e pressórico, mas a persistência de níveis elevados (168/112 mmHg) exige a otimização da terapia anti-hipertensiva com associação de classes.
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